Água abaixo

Por Loyane Alves
*Imagem: Ribs

Vamos fugir da guerra e da fome, vamos para um lugar onde a vida é feliz.

O que é felicidade? Perguntou ele.

Ele era dócil e pequenino. Tão pequeno que tamanho brilho no olhar mal cabia em si.

E lá estava ele, assim como vários outros que não sabiam muito da vida, mas sabiam sorrir.

Talvez o que faltasse nesse mundo seria sorrir, sem nada saber além disso.

Ser apenas: criança.

Crianças quando brigam, logo fazem as pazes.

Quando o dragão resolve atacar, é só acordar.

As nuvens são grandes algodões doces

Os ipês são pipocas, todo esforço é para construir uma engenhoca.

Até quando precisa subir uma ladeira, o esforço não passa de uma brincadeira.

Talvez faltasse isso no mundo, mais crianças.

Há quem diga que existem muitas no mundo, mas a pergunta é: onde estão aquelas que deveriam morar dentro de cada adulto?

Resolveram se mudar para um mundo onde ainda exista fantasia e alegria?

Ou morreram assim que descobriram que esse mundo não existe?

A ingenuidade no olhar, a espontaneidade do sorriso.

Não foi só uma criança que morreu. Foram sonhos, corridas, pulos, sorrisos que nadaram e morreram na praia.

O mar de egoísmo, fez com que tamanha ingenuidade fosse afogada.

É fácil parecer forte quando se esconde por trás de uma arma, difícil é ser forte quando a vida resolve ensinar que não é essa a melhor forma de brincar.

Mas que fortaleza é essa que só acaba com os sonhos?

É preciso dormir para sonhar, porque sonhar acordado é coisa do passado.

Durma e sonhe em paz, Aylan Kurdi.

Durma e sonhe em paz, infância.

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