Transporte no DF: é preciso falar e agir

Por Melissa Duarte

Terça-feira, 7h40 da manhã. Chego à parada cinco minutos antes do horário previsto para o ônibus com destino à rodoviária de Brasília. Amigos no terminal, porém, informam que ele não havia saído da garagem. O próximo ônibus, às 8h15 no terminal, me faria chegar muito atrasada. Então, pego dois ônibus e um metrô. Saio de casa 2h20 antes da primeira aula e, ainda assim, me atraso cerca de 20 minutos.

Essa é uma realidade presente na vida de muitos estudantes e trabalhadores no Distrito Federal e Entorno. O descaso do transporte público é bastante comum, mas não deveria ser considerado normal. Ônibus quebram, atrasam, possuem linhas insuficientes e horários que não suprem toda a demanda; por vezes, sobretudo em horários de pico, circulam tão superlotados que sequer param nos pontos. É impossível entrar mais alguém.

Com o metrô e o sistema BRT Expresso, a situação não é muito diferente. Eles não se estendem a todas as cidades-satélites e as que são contempladas não possuem trens – ou veículos articulados, no caso do segundo – suficientes para atender todos os passageiros.

O governo do Distrito Federal (GDF) divulgou na última terça-feira, dia 15/09, o aumento de várias tarifas, dentre elas as de ônibus, com o objetivo de equilibrar as contas públicas. Atualmente, as passagens custam R$ 1,50, R$ 2, R$ 2,50 e R$ 3. Elas passam para, respectivamente, R$ 2,25, R$ 3 e R$ 4 a partir de domingo, dia 20/09. Os preços são muito altos para o retorno que se tem.

Dessa forma, muitas pessoas se veem prejudicadas todos os dias em seus locais de estudo e trabalho. Perdem-se três, quatro horas em deslocamento diário, as quais poderiam ser mais bem utilizadas se o transporte público fosse mais eficiente e rápido. Além disso, a passagem passa a pesar mais no bolso dos usuários e do GDF, o qual subsidia parte do valor com o Passe Livre estudantil.

Por isso, após audiência pública sobre transporte público para a Universidade de Brasília (UnB) na qual vários estudantes se manifestaram para debater a questão, o deputado distrital Ricardo Vale (PT-DF) concedeu entrevista ao SOS Imprensa.

Como o senhor enxerga a questão do transporte público (ônibus, BRT e metrô) no DF e Entorno?

Eu enxergo de forma muito deficitária. Além de ser um transporte caro, é um transporte que precisa ser urgentemente integrado. É… o governo passado fez uma licitação, mudou os ônibus, trocou vários ônibus por ônibus novos, mas ele não conseguiu fazer a integração ainda, que é por bacias. Isso tem causado um prejuízo muito grande pra população, então é preciso que urgentemente o Governo do Distrito Federal cumpra o objeto daquela licitação que foi implementada no ano passado para que os ônibus possam fazer um sistema mais integrado, mais inteligente e a gente possa diminuir esse sofrimento da nossa população.

O senhor tem algum projeto de lei acerca do transporte público?

Tenho. Eu protocolei o projeto da Tarifa Zero em fevereiro na Câmara. Acho que o transporte é universal, ele é um direito, ele faz parte, inclusive, da formação e do ensino dos jovens e dos trabalhadores. E eu sonho com a Tarifa Zero para todos os estudantes, todos os trabalhadores. Então, o projeto tá tramitando na Câmara, sabe que não vai ser fácil implementar, porque o custo do transporte é caro, mas é possível, já temos países, cidades que já têm a Tarifa Zero implementada. Mas o transporte é como a saúde, é um direito dos estudantes e dos trabalhadores.

Ultimamente, vêm sendo veiculadas na mídia notícias sobre o aumento das passagens de ônibus no DF e Entorno. Como o senhor vê isso? Qual a necessidade de aumentar a tarifa agora?

O governo tá cometendo um erro. Está vivendo um momento de crise no nosso país e no Distrito Federal também, onde existe uma dificuldade muito grande de falta de empregos. Enfim, você aumentar as passagens agora é um prejuízo principalmente pras comunidades mais carentes. Portanto, eu não vejo necessidade de o governo aumentar as passagens, até porque parte da passagem é subsidiada pelo próprio governo e o governo, enfim, em vez de procurar arrecadar, fazer um processo de arrecadação, principalmente com as dívidas ativas que o governo tem direito a receber, são quase R$ 17 bilhões, que poderia estar renegociando com quem deve, seja empresário, seja empresa, sejam trabalhadores. Enfim, o governo prefere jogar o aumento das passagens pra poder suprir essa demanda que eu te falei com relação aos custos da passagem. Isso é um prejuízo muito grande pra nossa população e eu acho que o governo está errando, vai aumentar muito mais a recessão da nossa cidade.

O senhor se declarou contra o aumento das passagens. Há outras possíveis soluções na sua opinião?

É como eu te falei, o governo tem R$ 17 bilhões pra receber. O governo tá, inclusive, alegando que precisa aumentar as passagens porque precisa urgentemente arrecadar mais ou menos R$ 3 bilhões pra tirar o estado da situação em que se encontra. Oras, se o governo tem R$ 17 bilhões pra receber, por que o governo não chama os devedores, que são grandes empresas daqui, que são empresas médias, que são empresas pequenas, que querem, inclusive, renegociar com o governo isso. Ora, R$ 17 bilhões, 20% disso são R$ 3 bilhões e pouco, ele resolveria todo esse problema de orçamento que ele tem. Portanto, não precisaria tá aumentando passagem de ônibus, aumentando entrada de zoológico, aumentando preço de refeição de comunidade carente e já aumentado os impostos. Então, na minha avaliação, o governo, infelizmente, tá errando muito nessa questão dos aumentos dos preços, das tarifas e dos transportes.

O SOS Imprensa agradece a colaboração do deputado e de sua assessoria de imprensa.

Foto: Governo do DF

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