A Playboy já não tem nudez e os jornais ainda não são sexy

Por Daniel Marques Vieira

Nesta semana, o mundo do conteúdo impresso se deparou com uma das mudanças editoriais mais drásticas da história. A revista Playboy, famosa por publicar fotos de mulheres nuas, acaba de anunciar que deixará de publicar nudez.

Mercadologicamente, pode parecer loucura. É como se de repente o McDonalds decidisse vender somente comida saudável ou como se a Apple começasse a acreditar que deve deixar de investir em telefones celulares. Mas a mudança faz sentido, acredite.

Primeiro vamos aos dados concretos: a Playboy corria (e ainda corre) um grave risco de ir à falência. Enquanto na época de seu lançamento a revista atingia os 5,6 milhões de exemplares em circulação, hoje a tiragem não ultrapassa os 800 mil. E a justificativa é clara: tudo que costumava-se procurar nas revistas pornográficas agora é encontrado em quantidade muito maior, com muito mais variedade e de formas muito mais chamativas na internet. A decisão pode ser polêmica e arriscada, mas a Playboy vai no caminho certo, fazendo o que muito veículo impresso ainda não tem coragem de fazer: assumir que está se tornando inútil.

O jornalismo impresso segue na mesma linha que a revista Playboy seguia até semana passada. Mesmo depois de evidentes quedas de audiência, mudanças concretas não são propostas. A imprensa parece ignorar que boa parte do que ela faz pode ser encontrado online em maior fluxo, pontualidade e atratividade. Mas veja bem: não estou falando da imprensa aceitar sua morte. Assim como a Playboy não morreu, os jornais também não vão morrer. Basta que haja a tomada de consciência do contexto desse século.

Cito as editorias de tecnologia, por exemplo, que insistem em pensar que o público atual é um analfabeto digital. O tom didático, quando se está falando do mundo digital já é quase totalmente descartável. O jornalismo tem se agarrado em modelos antigos que puderam ser chamados de “concisos” há alguns anos atrás, mas agora são enxergados como ignorantes.

Além disso, o modelo chato, estático e massivo já não causa interesse nas novas gerações. E não é difícil pensar em modelos mais atrativos, basta olhar com atenção àqueles elementos que se tornaram populares entre o meio jovem e perceber quais fatores os popularizaram. Pode parecer anti-profissional, mas o jornalismo vai ter que recorrer a métodos já não tão “sérios”.

Está na hora da imprensa largar o modelo de pornografia informacional, cujo o objetivo é a masturbação intelectual, e entender que de informação pura, assim como de pornografia, a internet já está cheia.

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