A objetificação da mulher na publicidade

Por Roberta Pissutti

“Mostre para ela que o mundo é dos homens”, era o slogan de uma famosa marca americana de gravatas nos anos 50. Ele vinha acompanhado da imagem de uma mulher ajoelhada, servindo café para o marido na cama, expressando claramente a ideia da mulher submissa.

gravatas van heusen 1964

Parece coisa do passado, mas propaganda machista pode ser encontrada em qualquer esquina e em qualquer canal televisivo, ainda hoje. Uma ótima prova de que o machismo continua presente, e muito, nas campanhas publicitarias atuais são as propagandas de cerveja.

A mais famosa atualmente é a “Verão” da cerveja Itaipava. Em uma das propagandas a modelo encontra-se de biquíni e as quantidades 300 e 350 ml, que indicam a garrafa e a lata de cerveja em suas mãos, e 600 ml, que indica a quantidade de silicone nos seios da modelo, vêm acompanhadas do slogan “faça sua escolha”, tratando a modelo e seu corpo como simples objetos.

Esse tipo de publicidade não passa despercebido. Várias dessas propagandas são denunciadas por consumidores para o Conselho Nacional de  Autorregulamentação Publicitária (Conar), infelizmente, isso não quer dizer que algo seja feito a respeito. Muitas vezes as empresas se safam declarando que estão apenas se utilizando do humor e não pretendem agredir ninguém. Mas é preciso entender que tornar alguém algo não é brincadeira. Quem pode provar que esse “humor” só está nos pôsteres de papel ou na televisão? Ninguém, porque ele não está.

Esse machismo apresentado nas campanhas publicitarias não aparece só quando se quer ganhar dinheiro pelos clientes, já foram registradas declarações de diversas publicitárias, contando do assédio e do abuso que vivem em suas carreiras, sem contar a agressão verbal e psicológica que sofrem ao tentar se postar contra as propagandas machistas das empresas nas quais trabalham.

E se já está ruim, pode ficar pior. No começo do ano, durante o carnaval a Skol começou a campanha “Deixei o “não” em casa”, contrariando totalmente as campanhas anti-estupro “Não é não”. Após ser criticada e ter seus cartazes pichados com a frase “mas trouxe o nunca” complementando o slogan, a marca precisou mudar a campanha. Mas ainda assim, foi preciso muitas denuncias e críticas para que os publicitários cedessem e  entendessem que esse tipo de campanha não é aceitável.

Essas campanhas já estão tão presentes, que as pessoas acham normal ver uma mulher de biquíni em toda propaganda de cerveja, que muitos ainda acham certo fazer uma propaganda de maquina de lavar roupa em homenagem ao Dia da Mulher. Mas não é normal. O movimento feminista defende a igualdade entre os sexos e isso se aplica também a todas as campanhas publicitárias atuais. A mulher não é um objeto, a mulher é um ser, que pensa, fala e age em defesa dos seus direitos e que vai dizer “não”: não para as propagandas machistas, não para as cantadas abusivas, não para os gestos obscenos e não para qualquer um que tentar impedi-la de dizer “não”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s