“Bonner exibe visual barbado em férias na África”

Por Rafz Tzu

Notícia de agosto deste ano.

Por que veicular algo tão ordinário? Algumas pessoas têm barba, é natural.

Dentre critérios para uma notícia, está “ineditibilidade”. Ora, onde já se viu o âncora do jornal de maior audiência da televisão brasileira barbado? Um homem sério, apresentável, profissional de sucesso, que ocupa a bancada do JN há mais de 18 anos, não deve se dar ao luxo de crescer pelos em suas bochechas, assim como jamais havia feito.

2015, pelos faciais, tatuagens e piercings colocam seus portadores em desacordo com o modelo ascético de sucesso, o estilo de profissionais ainda é considerado valor moral e decisivo para desempenho do trabalho. NO BEARDS IF YOU WANT TO WORK! Quem lucra com isso? Não são os profissionais, que têm seus corpos manipulados e reprimidos para estarem “aptos” ao trabalho. Especialmente jornalistas, vítimas da contradição de trabalhar a favor da liberdade de expressão e, no entanto, submeterem-se a essa censura.

O Brasil é continental, inúmeros estados colonizados por povos de diferentes culturas e nacionalidades, negros, brancos, barbudos e não-barbudos, gays, heteros, jovens, velhos, tatuados e não-tatuados. Muitos, claramente não comtemplados pelo padrão “Casal Bonnardes” de rostos, corpos e sorrisos plásticos.

A canção “Xanéu n°5” indaga a respeito da representatividade do brasileiro na mídia tradicional. Afirma sobre a televisão: “ela não SAP quem sou, ela não fala minha língua”, o que dificulta a comunicação do eu-lírico com o meio “Era vida em preto e branco, quase nunca colorida reprisando coisas que não fiz. Finalmente se acabando feito longa, feito curta que termina com final feliz”. Emissoras defendem a importância da identificação do espectador com o conteúdo e, para que o último seja inteligível, é necessário que faça parte da realidade do espectador.

PROGRAMAÇÃO INTERROMPIDA: um rapaz barbado com tatuagens no braço, trajando roupas casuais e coloridas resume acontecimentos em apenas um minuto. O Jornal Nacional dura uma hora inteira, em média. Aparentemente, a mídia desconhece o provérbio “jamais julgue um livro pela capa” e a pluralidade de indivíduos que compõe este pais.

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