Computação também é coisa de menina!

Por Isabela Graton

Melissa Cardoso, estudante do terceiro ano do Centro de Ensino Médio Paulo Freire, deseja cursar engenharia de energia na universidade. Esse interesse pela área, que não é muito comum entre as mulheres, surgiu quando ela começou a participar do projeto “Meninas na computação”, veiculado à extensão do departamento de Ciência da Computação da UnB, que desde 2009 visa incentivar meninas a se interessarem por essa área tipicamente caracterizada como masculina.

“A gente fez uma pesquisa na UnB e nos últimos 10 anos a entrada de mulheres no curso de Computação fica em torno de 10%, então queremos entender porque entre 40 vagas apenas 4 delas são preenchidas por mulheres para ajudá-las e mostrar que computação também é coisa de menina” explicou a professora Maristela Holanda, do departamento de Ciência da Computação, que faz parte da equipe do projeto.

O fato é que áreas de exatas ainda são vistas como território masculino pela maioria das pessoas. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as mulheres são responsáveis por 5% das matrículas em cursos de engenharia e apenas 3,7% em física, matemática e ciências da terra. Isso acontece porque desde pequenas elas são estimuladas a se interessar por áreas mais humanas, visto que a caracterização tradicional feminina as coloca no papel de “cuidadoras” e “sentimentais”, enquanto homens são frequentemente associados ao raciocínio lógico.

Assim, projetos como o “Meninas na Computação” têm como objetivo diminuir esta desigualdade de gênero presente tanto nas universidades quanto no mercado de trabalho da área de exatas. Para tal, são desenvolvidas aulas de robótica com as alunas do ensino médio e oficinas durante o ano letivo para que elas construam projetos para mostrar em feiras. Durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, por exemplo, as participantes montaram um estande onde apresentam o projeto e elementos que construíram, entre eles diversos robôs e o protótipo de uma “casa inteligente” que reage a sensores para executar comandos como ligar luzes, fechar persianas para regular a luminosidade ou detectar vazamentos de gás.

O projeto busca, portanto, refutar a ideia de que computação é uma área destinada apenas aos homens e reverter este quadro de desigualdade de gênero dentro das universidades fornecendo informações às jovens que estão escolhendo em qual curso desejam ingressar. Ele busca motivar meninas que, como Melissa, descobrem através das aulas, oficinas e palestras um interesse em aprender mais sobre ciência e tecnologia. “O que eu mais gostei de aprender até agora foi a parte de programação porque é um logaritmo e é muito simples, o que acontece é que o logaritmo dá os comandos para o robô levantar, andar pra frente, para trás..” explica a estudante que, assim como muitas outras, está aprendendo que computação é e sempre foi coisa de menina.

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“Casa inteligente” feita pelas integrantes do projeto “Meninas na Computação”

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Robo programado pelas integrantes do projeto “Meninas na Computação”

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Participantes do projeto junto com o professor Carlos Alberto e a professora Maristela no estande da Semana Nacional de Ciencia e Tecnologia

Para mais informações sobre o projeto acesse: http://meninas.cic.unb.br/

Um comentário sobre “Computação também é coisa de menina!

  1. Joana D'arc F. da Silva disse:

    Estou muito orgulhosa com o empenho da UNB em apoiar essas meninas e em especial a minha, ela não tinha interesse, e hoje está apaixonada pelo projeto!!!!! Parabéns a todas que fizeram este projeto dar certo!!!

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