Eu preciso falar sobre Feminismo

Por Melissa Duarte

Feminismo é equidade, igualdade de gênero. Eu não quero ser superior a um homem simplesmente por eu ser mulher, longe disso; mas apenas ter as mesmas oportunidades que ele e, a partir disso, mostrar o próprio potencial e trabalho. Além disso, não aceito que outra pessoa tente ditar minhas roupas, círculo de amizades e comportamento na sociedade, porque são escolhas pessoais. Eu converso muito sobre isso, mas sinto que é preciso agir mais e lutar, de fato, contra o sexismo.

Na semana passada, o Brasil pareceu entrar numa máquina do tempo. Patriarcalismo é a palavra. Não é possível que, em pleno século 21, cultura do estupro e violência contra a mulher permaneçam tão fortes e com tantos apoiadores. No entanto, infelizmente, essa ainda é a realidade. Homens e mulheres continuam a reproduzir o discurso machista que culpabiliza, em diferentes níveis, as vítimas ou que, pelo menos, ameniza a culpa do estuprador e a crueldade do abuso.

Com intervalo de um dia, dois casos ocorreram no Brasil. Dois acontecimentos nojentos e lastimáveis, fora os que não viraram notícia ou foram denunciados. E ainda dizem que a gente não precisa mais de Feminismo.

O primeiro foi de Valentina Schulz, participante do MasterChef Júnior, exibido pela Band às terças-feiras. Valentina foi vítima de sexualização infantil, assédio e comentários machistas e pedófilos em redes sociais, chegando a ser um dos assuntos mais comentados e gerando a campanha #primeiroassédio no Twitter, na qual mulheres relatam o primeiro abuso sofrido, como forma de denúncia e sororidade.

size_810_16_9_12140172_1917314541826474_7460533478355932938_o

Valentina, eu quero te dizer que ninguém tem o direito de te assediar. Ainda que você não tivesse corpo, mentalidade e atitudes de uma menina de 12 anos, não podem agir como se você fosse adulta. E, mesmo que fosse, não deve ser oprimida. Pelo contrário, você pode estudar, brincar, usar redes sociais, participar de competição de culinária e ser chef de cozinha. Você pode tudo isso e muito mais. O que não pode é ser inferiorizada, tratada como objeto de desejo e alvo de comentários sexistas. Por isso, Valentina, você precisa do Feminismo, mas é o mundo que necessita ter, sobretudo, humanidade.

O segundo foi o PL 5069, projeto de lei do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aprovado na quarta-feira passada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. Ele dificulta o acesso de mulheres vítimas de abuso sexual ao sistema de saúde. Atualmente, têm direito a atendimento médico rápido, pílula do dia seguinte, orientações e acompanhamento. Em caso de gravidez e opção pelo aborto, precisam apenas relatar o abuso e do depoimento de um (a) profissional de saúde que a atendeu. Já com a nova PL, deve-se registrar boletim de ocorrência, realizar exame de corpo de delito antes de ir ao hospital e não se pode tomar pílula; além disso, médicos e enfermeiros passam a ser proibidos de orientar e executar procedimento abortivo.

c2a396_6de99965766f4a8b8ae961c1ecfdd2c5

Veja bem, não estou defendendo ou condenando a legalização do aborto. Na verdade, quero mostrar a importância do Feminismo no combate à cultura do estupro e à violência contra a mulher. Desse modo, o novo projeto não faz sentido, uma vez que é um retrocesso aos direitos das mulheres e um atentado às suas vidas. Muitas delas passarão a procurar clínicas clandestinas e métodos alternativos para realizar aborto, procedimento que ainda é permitido legalmente no Brasil para esse caso específico.

Vale lembrar que, apesar de ser o ato mais violento, o estupro não é a única agressão a ser combatida, mas também a opressão às vítimas – várias não denunciam o criminoso por vergonha, repressão ou mau tratamento recebido em muitas delegacias. Comentários sexistas e pedófilos são, ainda, práticas de violência contra a mulher e devem ser, a todo custo, condenados e punidos.

Sororidade, mulheres. Precisamos nos unir.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s