A nova democracia cultural

Por Gabriel Shinohara

*colaboração: Ana Laura Corrêa

A tecnologia influenciou na criação de música ao longo de toda sua história, seja nas primeiras gravações (realizadas ao vivo e com apenas um microfone), seja atualmente, com múltiplas possibilidades de edição e refinação do material bruto.

Aplicando a clássica expressão de Marshall McLuhan “o meio é a mensagem” à produção musical atual, as interferências são claras, seja com o crescimento de vendas de singles (principalmente antes de chegada do streaming) ou analisando as novas plataformas de consumo e distribuição disponíveis na internet (como crowdfunding e torrent).

Ações culturais que não seriam possíveis sem a internet, como bandas independentes produzirem álbuns de qualidade profissional, acontecem. Como no caso das bandas O Terno e Vivendo do Ócio.

O Terno tem dois álbuns lançados, ambos independentes, mas o segundo foi financiado pela base de fãs da banda, por meio do crowdfunding. Superando a meta de R$30.000,00 arrecadados, a banda paulistana conseguiu finalizar o álbum homônimo sem a ajuda ou interferência de gravadoras ou produtores.

A história do grupo baiano, Vivendo do Ócio, é um pouco diferente. Já com uma grande quantidade de fãs conquistada com seus dois álbuns lançados pela DeckDisk, resolveram abraçar a produção independente e, também usando o crowdfunding, superaram a meta e atingiram mais de R$60.000,00 arrecadados apenas por meio dos fãs.

Essas bandas não teriam a chance de alcançar seu público sem a internet, teriam que passar pelo crivo das gravadoras e então, só aí, teriam o investimento necessário na produção e no marketing.

Em qual plataforma, antes da internet, artistas independentes e contratados de gravadora estariam no mesmo espaço para o público? Não existia algo assim. Com a chegada do MP3, YouTube e, então, plataformas de streaming (como Spotify), todos aparecem no mesmo espaço para o público.

O independente não alcançará a mesma quantidade de público, pelas diferenças de investimento, mas pela primeira vez o gatekeeping realizado pelas gravadoras não é supremo e a democracia cultural é mais forte do que nunca.

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