Podcasts jornalísticos: o que já temos?

Por Daniel Marques Vieira

Em outubro, sob a circunstância da mudança editorial da Playboy, escrevi para o SOS sobre como o jornalismo tradicional deixou de ser eficaz quando se trata das novas gerações (leia AQUI). Criticar a mídia em geral é relativamente fácil. Como eu fiz, muitos apontam falhas, mas sempre que essa postura é adotada a ideia de uma possível solução sempre parece desfocada e distante. No texto, eu falo de “tomada de consciência do contexto desse século” e da necessidade de “modelos mais atrativos” de jornalismo, mas do que exatamente eu estava falando? Como deixar de lado o modelo que chamei de “pornografia informacional”?

Nesse texto eu exponho (e indico para consumo) um dos exemplos de conteúdo nacional de quem já está tentando e testando formas de informar adequadas ao novo modelo de consumo de conteúdo. No caso, o podcasting.

O podcast (no formato mais comum que conhecemos hoje, isso é, arquivos de áudio disponibilizados via feed e comumente disponibilizado para download direto e streaming) é uma mídia nascida totalmente da internet. Quando surgiu, talvez despretensiosamente, não se imaginava que o formato predizia a tendência ainda nascente do conteúdo sob demanda, formato ao qual o jornalismo tem dificuldades em se incluir.

É importante notar que a internet fez com que o modelo de consumo de conteúdo “on demand” se tornasse o método preferido do internauta. Em vez de esperar que o filme passe na TV, o assistimos na Netflix. O podcasting de certa forma se adapta a esse modelo e somente agora o jornalismo começa a se aventurar nessa plataforma.

Com o podcast, principalmente, o cliente interessado em se informar tem a disposição um programa talhado conforme o seu desejo e necessidade buscada numa mistura de programa de rádio, entrevista, bate-papo, aula e análises de casos e causos da cultura adquirida de cada um.

Pedro Martinez no blog “Filosofias e Terapias”

Até pouco tempo atrás, o jornalismo em podcasts consistia em uma réplica dos noticiários do rádio, e só agora ele se aventura em formatos mais próprios. Exemplos são os podcasts “Projeto Humanos” e “Ninguém:人間”, ambos exploram o formato “storrytelling”.

Coloco aqui as auto-descrições dos podcasts e exemplos para apreciação.

1-

projeto humanos

O Projeto Humanos é um podcast dedicado ao registro e resgate de narrativas individuais, buscando mostrar que mesmo os atos humanos mais banais reservam enormes riquezas.

2-

O Ninguém:人間 é um Podcast de Storytelling brasileiro. Ele surgiu da vontade de contar histórias do Brasil e da língua portuguesa do ponto de vista do povo japonês.

O nome vem do fato das histórias serem contadas por pessoas desconhecidas do grande público (ninguéns) mas que também são seres humanos. Os ideogramas 人間 tem a leitura idêntica à palavra do português ‘ninguém’ e significa ‘ser humano.’ Dai o nome ‘Ninguém:人間.’

Bem, é possível explorar bem os novos formatos para a produção de conteúdo jornalístico e os podcasts que nascem nos provam isso.

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