Análise – Marcha das Mulheres Negras

Por SOS Diversidade

    A Marcha das Mulheres Negras reuniu cerca de 10 mil ativistas que se concentraram no Ginásio Nilson Nelson e caminharam até o Congresso Nacional no dia 18 de novembro de 2015. O objetivo do ato foi chamar atenção para o combate a discriminação da mulher negra e para a necessidade de ampliação das políticas públicas de promoção de igualdade. Entre os temas discutidos estão a divulgação do Mapa da Violência de 2015, divulgado em novembro de 2015, que mostra que a quantidade de mulheres negras mortas cresceu 54% enquanto que o de mulheres brancas caiu 10% entre 2003 e 2013.

Decidimos analisar, entre os diversos meios de comunicação que relataram a marcha, o portal de notícias G1 e o site da Revista Fórum. O G1 publicou uma matéria com o título “Marcha de mulheres negras fecha eixo monumental“, enquanto que na Revista Fórum o título foi “Confira fotos da Marcha das Mulheres Negras em Brasília“. Ambas as matérias foram publicadas no dia 18 de novembro de 2015.

    Na Revista Fórum, o tema central do texto gira em torno do combate a discriminação e a violência que as ativistas reivindicam na Marcha das Mulheres Negras. A autora usa de depoimentos, números e fotos para enfatizar o tamanho e a importância desse ato. O corpo textual oferece uma estimativa de pessoas oferecida pela organização, mas, em oposição à do G1, não oferece a contagem da Polícia Militar.

A matéria do G1, com um caráter mais descritivo da situação, se preocupa em informar aspectos práticos como: de onde a marcha partiu e que trechos a PM indicava para evitar, a informação principal sendo a de que o protesto fechou seis faixas do Eixo Monumental e que os motoristas teriam que alterar a rota para passar.

    Em um dos últimos parágrafos, o portal destoa de seu par quando indica que na manifestação também haviam homens e usa fala de dois deles.  No último parágrafo, então, o assunto principal vira a Torre de TV com a fala da professora Sandra Santana. Um comentário que termina o texto de forma banal, tratando a marcha como turismo, ao invés de ressaltar a importância do ato.

Quanto aos dados da organização da marcha e do Mapa da Violência 2015, a Revista Fórum trata como ponto principal do texto ao trazer esses números logo no sutiã da matéria e de novo no primeiro parágrafo, abrindo o texto. Já no G1, só aparecem no sexto parágrafo, já que o foco principal é o fechamento das faixas do eixo monumental.

A  Revista Fórum apresentou três fontes: a ministra Nilma Lino Gomes, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) e a ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário (RS). As três mulheres discutem pontos importantes e relevantes ao assunto da marcha, como a luta das mulheres negras, a invisibilidade que elas têm na mídia, a baixa representatividade das mulheres no setor político e o fato de que há apenas três parlamentares negras na Câmara dos Deputados.

Na entrevista da Revista Fórum, a ministra Nilma Lino Gomes, usa a expressão “imaginário sexista”, o que ajuda a construir a importância do movimento em combater também ideias sexistas e machistas. O termo só aparece uma vez, e nas outras, a falta de oportunidade para mulheres nos cargos públicos, por exemplo, é tratada como “baixa representatividade do setor”.

No portal de notícias do G1, a ministra Nilma Lino e a deputada Maria do Rosário também foram usadas como fonte, e há também o comentário da organizadora do evento, Vanda Menezes, sobre como a marcha mostra respeito pela ancestralidade.

Fotografia: Lula Marques

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