Representatividade feminina no cinema

Por Sandra Silva

A busca pela representatividade feminina em produtos cinematográficos é uma pauta importante, e o tema, é cada vez mais cobrado pelas feministas.

No entanto, representatividade vai muito além de trazer personagens principais femininos, de diversas etnias e/ou classe sociais. Isso também é importante, mas não é o suficiente.

É muito comum encontrar o papel da mulher representado de maneira rasa e banal, tendo como uma de suas poucas funções ser o degrau de crescimento de um personagem masculino, por vezes através de uma relação amorosa.

E mesmo quando é possível perceber a tentativa de algum material de escapar desse padrão, nota-se que geralmente peca pelos estereótipos. Os mais comuns são: a mulher negra escandalosa, a executiva de sucesso amargurada e sem namorado, a mulher fatal e perigosa…

Acontecimentos traumáticos também são utilizados como ponte para se chegar com mais facilidade e drama em uma determinada personalidade ou característica.

Durante o tradicional festival de Cannes, ocorreu o bate-papo “Mulheres no Cinema” com a atriz e diretora Jodie Foster (53), nessa conversa ela expressou sua indignação com homens roteiristas que inserem o estupro em seus textos de maneira desnecessária.

Foster fala como o estupro na maioria dos filmes que participou foi usado como ferramenta para “incentivar” a personagem. “Me perguntava por que ela era triste. Ah, foi estuprada. Me perguntava por que tinha problemas com o chefe, bem, ela é porque foi estuprada, e só depois você descobre… Era ridículo! Todo filme que eu assistia, sempre que procurava, o grande motivo era estupro. Por que por alguma razão, os homens viam isso como algo incrivelmente dramático, e aí é fácil, é só pegar e aplicar. (…) Eles eram incapazes de se colocar no lugar dela”.

Utilizar algo sério como o estupro apenas para chocar os espectadores ou para justificar alguma característica da personagem, sem qualquer desenvolvimento detalhado de seu psicológico e personalidade, não carrega nenhuma representatividade.

Estupro é crime, e não deve ser romantizado nem banalizado.

Foi e continua sendo uma grande caminhada em busca do espaço da mulher em todos os cantos da sociedade. É preciso se desvencilhar de estereótipos e regras que passam a imagem da mulher como um ser menos complexo e individual, e quando se tira essa complexidade, de certa forma, também se tira sua humanidade.

O cinema sofre com essa falha por ser majoritariamente composto por homens, portanto esse fenômeno é apenas um reflexo da falta de mulheres no meio. Quando há mais mulheres roteiristas e por detrás das câmeras, é muito mais fácil se aproximar da complexidade realística do ser mulher.

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