Sangue de barata ou profissional?

Por Priscilla Rodrigues

Breve comentário acerca da postura dos jornalistas sensacionalistas a partir do caso Clenildo Amaral

Certamente, já nos deparamos inúmeras vezes com situações que colocavam em dúvida a postura do jornalista. É comum, principalmente em jornais sensacionalistas, espetacularização e/ ou banalização de um fato, seja por meio do uso de palavras de baixo calão, agressividade de termos ou insistência na defesa de ideias como “bandido bom é bandido morto”. A finalidade de entreter o público vem associada à forma declarada de mercantilização da informação presente na categoria.

O jornalista inserido neste contexto é protagonista do espetáculo. É aquele que o público apoia e reverencia; fato que levanta diversas questões cerca da sua postura, simbolismo e responsabilidade, dado o alcance dos meios de comunicação.

No fim de abril, um vídeo viralizou na internet. Nele, um detento cospe no jornalista Clenildo Amaral do Programa Rota 5 da TV Ponta Negra, filial do SBT em Santarém – PA, que revida com soco. A publicação no YouTube recebe diversos comentários de apoio ao jornalista. O vídeo teve cerca de 1.212.190 de visualizações, sendo 300.000 apenas no primeiro dia e mais de 4 mil compartilhamentos.

Mas, qual o problema? O repórter não foi desrespeitado? A discussão vai muito além da relação newtoniana de ação-reação. Trata-se de um trabalhador em pleno exercício da profissão. Neste caso, ele deve estar consciente da responsabilidade no meio social e simbólico. Alguns autores defendem a não-dicotomia profissional/homem.

Paulo Freire considera indispensável reconhecer que um profissional, antes de ser profissional, é homem. Deve ser comprometido por si mesmo. Ou seja, independentemente do seu ofício ou de sua categoria profissional,de suas particularidades e/ou de seus códigos deontológicos,  suas responsabilidades como profissional não são (ou não podem) dicotomizar-se de seu compromisso original de homem. Por isso,um jornalista é, antes de tudo, um homem (ser humano).(KANEHIDE,2009, P.38)

Para eles, por exemplo, nunca se deve esquecer que se trata de um único indivíduo. Porém, ouso dizer que, embora o jornalista não perca sua “humanidade”, deve distanciar-se da ação por impulso.

Não quero de maneira alguma dizer que jornalista deve ter “sangue de barata” e agir friamente em situações de estresse excessivo, mas agir com responsabilidade e racionalidade. Afinal, comunicólogos, em especial jornalistas, possuem responsabilidade quanto à formação e conscientização do povo.

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