24 anos

Por Gabriel Shinohara

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Vinte e quatro anos separam os processos de impeachment de Collor e Dilma. Mais de duas décadas de inclusão social e fortalecimento econômico e das instituições, mas a democracia brasileira continua frágil.

oMesmo seguindo os ritos de maneira legal, os processos foram muito influenciados pela posição midiática e pelo enfraquecimento político de ambas os personagens. Nos dois casos, o Congresso foi, majoritariamente, a favor da destituição do presidente e tiveram, entre seus votantes faces peculiares, para dizer o mínimo. Hipócritas de se autodenominar agentes contra a corrupção ao mesmo tempo em que são agentes diretos da corrupção.

Outra semelhança é vista nas campanhas eleitorais. Ambas iludiram os eleitores, tendo em sua centralidade temas que não foram decentemente abordados durante os mandatos; no caso de Collor, a luta contra os “Marajás” ou, mais especificamente, contra a corrupção;  e, no de Dilma, fortalecimento da educação, a  “Pátria Educadora” e também a guinada à esquerda sinalizada durante a campanha e totalmente massacrada assim que o banqueiro Joaquim Levy foi anunciado como Ministro da Fazenda. Essa desilusão enfraqueceu o apoio popular que conjuntamente com a perda de apoio no congresso, fez possível o seguimento do processo de impeachment.

Apesar das semelhanças serem abundantes, a diferença é pontual e essencial. Dilma Rousseff não está diretamente denunciada em caso material de corrupção, as tais pedaladas fiscais são artifícios corriqueiros de gestão. Se não houvesse vontade política de destituir a presidenta, como comprovado pelas conversas gravadas por Sérgio Machado, não haveria ocorrido impeachment, assim como não ocorreu com FHC e Lula, que usaram das mesmas “pedaladas” algumas vezes.

Vinte e quatro anos separam os dois processos de impeachment. Dois processos que seguiram os ritos legais, mas que têm em suas diferenças fundamentais, a explicação da nomenclatura de impeachment e golpe. Dilma foi vítima da própria inabilidade política e de conspirações da oposição, Collor foi agente direto da corrupção.

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