Da vaidade à dor

Por Pedro Canguçu 

No último domingo, 21 de agosto, foi apresentado no programa Eliana (SBT) uma doença que sempre esteve presente em diversas pessoas com diferentes faixas etárias: transtorno dismórfico corporal, também conhecido como doença da beleza. Segundo especialistas, é quando a pessoa se foca em defeitos – os quais nem sempre possui – e tem visão distorcida da própria imagem.

Infelizmente, a ditadura da beleza é a grande causa do distúrbio. O padrão que a mídia impõe do que é belo acaba destruindo a vida de muitos, especialmente jovens. Durante esse programa, dois jovens diagnosticados com a doença foram convidados para uma sessão de fotos. Ambos, tiveram uma foto original e, com ajuda do Photoshop, reproduziram outras duas de maneiras diferentes – como se veem e como queriam ser. Os resultados são impressionantes, como mostram as fotos abaixo.

clara
Clara Miqueline ,20, relata que sofre da doença desde que “se entende por gente”.
guilherme

Gustavo Almeida, 19, relata que odeia se olhar no espelho.

De acordo com pesquisa blog Instituto Nacional do Adolescente sem Causa (Inasc), o maior número de pessoas que sofrem com a doença assinam revistas de moda, manequim e/ou saúde, sobretudo mulheres. Em 2013, a Revista Vogue publicou artigo em que defendia jejum como método de emagrecimento. De acordo com a jornalista Cláudia Miranda, a ideia é ficar sem comer um, dois ou até dez dias. Defensores garantem que a privação desintoxica o organismo e facilita a perda de peso .

Ao questionar os telespectadores, a apresentadora Eliana pediu que as pessoas enviassem através de mensagem de textos se estavam satisfeitos com a atual fisionomia. Sem surpresa, 78% disse que não.

Até quando pessoas irão se submeter a dietas malucas ou tomar medicações que prometem rápida eficiência para terem o tão sonhado “corpo perfeito”? Pesquisas apontam que, a cada cinco meninas com esse distúrbio, uma morre. É alarmante. Será que o padrão imposto pelos veículos midiáticos é realmente o ideal? Quantos famosos sofrem atrás das câmeras por seguirem padrão ao qual são obrigados ou, quantos estão doentes, mas continuam firmes para representarem uma marca? Muitos se esquecem de que parte da genética é fundamental e não adianta querer ter um corpo perfeito só para estar na moda.

Tem-se, por último, o caso da jornalista Daiana Garbin, vítima da doença. Ela criou o canal no YouTube EuVejo para alertar outras pessoas que sofrem que se encontram em situação similar.

Portanto, não importa o padrão de beleza a ser imposto. Procurar ajuda médica ou psicológica é essencial, o primeiro passo para o tratamento. Muitos artistas conseguem se tratar e viver cada vez melhor – e usam para incentivar os fãs que passam por isso. Daiana usa o YouTube como ferramenta para ajudar a si e aos outros. “O Brasil é um país de diferentes tipos de beleza. Não seja perverso com o que você considera um defeito no outro”, ela aconselha.

A foto de capa foi retirada do EuVejo e as da matéria, do programa Eliana.

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