Objetificação das mulheres na Indústria Cultural – “How I Met Your Mother”

Por Larissa Lacerda

Nota da editora: este texto contém spoilers da série How I met your mother.

Música, cinema, série, teatro, televisão. Não importa o canal, é grande o consumo de cultura, sobretudo com o acesso facilitado pela internet. Tem-se YoTtube, Netflix e versões para smartphones de aplicativos que fornecem conteúdo e informação, como a série How I Met Your Mother. Num ambiente onde músicas, filmes e séries tem tanta influência, até onde vai o poder da mídia cultural de influir sobre conceitos pessoais?

O material audiovisual produzido atualmente é muito consumido pelo público, o que ajuda a torná-lo influente. Todos têm um filme predileto, uma série que ama ou uma novela que perde nenhum capítulo, sem contar canais no Youtube, que têm grande visualidade, mesmo aqueles sem alta produção. Com uma ferramenta tão poderosa em mãos, é comum ver a utilização da mídia cultural como meio de quebrar preconceitos ou, ainda, reforçá-los.

Já se pode ter maior acesso e assistir a filmes de alto conteúdo homossexual, que tem claro objetivo de “quebrar o tabu” e dar maior visualidade à comunidade LGBTTT. Também se pode ver aquela novela que retrata de forma crítica o racismo vivido pela população negra no Brasil. Aquela história em quadrinhos que, muitas vezes, de forma implícita, trata de relações abusivas adequadamente para crianças lerem e terem noção de que aquilo é errado. No YouTube, há vídeos que, de forma irônica e com humor, falam sobre corrupção e machismo.

É nesse contexto que se ressalta a objetificação das mulheres na mídia. Um assunto tão explorado – às vezes, de forma errada – e que, na maioria das vezes, é recebido com naturalidade, mesmo pelas mulheres, por já estar culturalmente arraigado. Afinal, quem não se lembra da música Camaro Amarelo, de Munhoz e Mariano, que estourou em 2011? Todos entenderam claramente o teor da música, na qual é dita, basicamente, que mulheres são tão fúteis que escolhem homens pelos carros que têm. Ainda assim, infelizmente, cantaram, compartilharam e curtiram.

Indo mais a fundo, milhares de fãs foram conquistados pela famosa série de TV norte-americana How I Met Your Mother. Lançada em 2005, conta com personagem particularmente interessante para o assunto: Barney Stinson. Que atire a primeira pedra quem nunca se divertiu com ele. É uma dos personagens principais e, não há como discordar, um dos mais engraçados e encantadores. São muitas risadas e corações roubados ao redor do mundo por essa figura. Porém, o objetivo não é ressaltar o quanto ele é engraçado, mas quão extremamente atrasado em relação às mulheres.

Sinceramente, o criador, Craig Thomas, não acrescentou a característica de “mulherengo” a Barney por questão social. Ele é assim porque é “uma personagem bastante frágil que tem medo de ficar sozinho”, de acordo com Thomas. No entanto, como é uma série de grande sucesso e que faz parte da vida de diversas pessoas, não se pode deixar de notar e, por vezes, se incomodar com pensamento primitivo em relação às conquistas. A realidade é a do século XXI, mas é de se duvidar que, em outra época, tenha existido mulher tão fútil e com auto-estima tão baixa que se deixaria cair nos truques baratos e, obviamente, falsos que Barney utiliza para usá-las por uma noite.

Ao longo da série – fora poucos momentos em que se envolveu verdadeiramente com mulheres e, lógico, a paixão e o envolvimento dele com Robin – Barney trata mulheres como diversão e um desafio. Prova infame disso é o famoso playbook, repleto de encenações falsas que ele mesmo inventou para manipular mulheres.

O mais decepcionante é que não são mentiras convincentes, que, talvez, qualquer pessoa acreditasse, devido ao teor simples e real. São mentiras estupidamente óbvias e ridículas nas quai alguém jamais acreditaria, exceto, lógico, mulheres inseguras que ele consegue o tempo todo, como se só existissem mulheres assim. Afinal, que mulher seria tão tola de cair em uma encenação barata de Barney vestido de Jonas Brothers dizendo que está prestes a sair em turnê ou ele como gênio da lâmpada?

Além das encenações ridículas, aposta em mentiras que até poderiam ser verdade, mas, de modo algum, fariam uma mulher, de repente, querer transar com ele. Ou seja, elas não só caem nas mentiras escancaradamente falsas como nas mais ou menos pensadas que lhes têm algo a oferecer. Sexo se torna troca de favores. Ela vai para a cama com ele achando que vai ganhar algo em troca, mas, na realidade, ganha uma desculpa para que ele dê o fora e nunca mais apareça.

O final da série pode ser encantador ou decepcionante. Realmente, a cena dele conhecendo a filha arranca lágrimas e aquela em que manda garotas se vestirem direito e irem para casa arranca risadas. Mas qual é a mensagem? Um homem precisa ter uma filha para respeitar mulheres? Os homens não devem respeitar mulheres porque poderiam ser suas mães, irmãs ou filhas, mas porque elas são pessoas.

Para fechar, uma última nota a todos os Barneys que existem por aí: I’m gonna teach you how to [em português, vou ensiná-lo a] respeitar mulheres e entender que são muito mais do que dinheiro, status ou aparência podem comprar.

Arte de capa: hdwallpapersfit.com

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