Sinto lhe informar, preconceito existe, sim

Maria Ferreira para o SOS Diversidade

Homofobia, infelizmente, é uma situação comum na sociedade. Porém, o assunto é sempre motivo de nervosismo, ninguém quer se admitir preconceituoso. Você já falou ou ouviu frases como “não tenho preconceita(o), mas que fique longe de mim” ou “é uma vergonha passar isso na TV” quando são exibidas imagens de beijo gay, por exemplo? Se a resposta for “sim”, sinto lhe informar, mas você é preconceituosa(o).

Parece cada vez mais sério, também, olhar o preconceito com a comunidade LGBTTT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) em escolas e universidades. Teoricamente, deveria ser um ambiente mais livre, com mentes mais abertas e bem resolvidas, mas não é assim que acontece. Segundo o portal de notícias UOL, numa pesquisa feita em 2013 com 8.283 estudantes de escola pública, de 15 a 29 anos, 19,83% não gostaria de ter colega travesti, homossexual, transexual ou transgênero. Desses, a maioria, eram homens.

De acordo com o site da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), uma pesquisa feita pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, com 32 mil jovens de 13 a 17 anos, mostrou que homossexuais são 5 vezes mais propensos a cometer suicídio que heterossexuais. Informou, também, que o Brasil está entre os 10 países com maior índice de suicídio. É um fato alarmante, pois uma sociedade que deveria acolher os jovens está cada vez mais os excluindo.

Uma segunda pesquisa, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), mostra que 67% dos entrevistados possuem vergonha da orientação sexual, 35 sofre de depressão e 10% têm risco de suicídio. Os motivos permutam, geralmente, entre falta de apoio, indiferença e preconceito, muitas vezes, por parte de pais, amigos e sociedade em geral.

Falácias do dia-a-dia deixam imaginar que preconceito é coisa do passado, que todas as pessoas são livres… Deveria ser assim, mas a verdade é que a sociedade tem andado retrógrada e, por isso, essa realidade parece cada vez mais distante. Palavras de ódio são proferidas a pessoas que, simplesmente, não tem opinião igual e não querem as mesmas coisas que outrem.

Ademais, religião é utilizada como um disfarce para o ódio. Pessoas que parecem nunca ter escutado ou lido sobre ela ou que justificam a repressão praticada com o que interpretaram. Além disso, há políticos que ajudam a perpetuar esse tipo de discurso, como integrantes da bancada evangélica na Câmara, tais quais Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP).

É crueldade disfarçada de salvação, ódio mascarado por bons moços, opinião travestida de desrespeito. É gente contra gente, gente que acha que os outros não são gente e, às vezes, por tanto ódio, eles é que não são mais. É uma guerra sem vencedores.

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