Respeito é religião

Maria Ferreira para o SOS Diversidade

O Brasil se constitui Estado Laico, ou seja, não possui religião oficial. Isso permite que os cidadãos sigam a religião que lhes for propícia ou simplesmente não tenha alguma.  Ainda lhes são asseguradas liberdade de expressão e de culto pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal de 1988. Como, teoricamente, há diferença e separação entre Estado e Igreja, uma não deveria interferir no modo de agir da outra, mas não é o que acontece sempre.

Ao pensar que todo cidadão deve ser atendido, há assuntos em que as ambas se enfrentam, como, por exemplo, aborto. A maioria dos cristãos são contrários, no entanto, há muitos religiosos na política e isso interfere nesse tipo de julgamento. A questão não é o debate, mas o desrespeito explícito resultante dele.

O que acontece é que alguns evangélicos, católicos, budistas e espíritas, dentre outros, não conseguem aceitar e, principalmente, respeitar o que o outro crê porque é diferente do que acredita. Todos têm o direito de acreditar, pregar e debater sobre o que creem ou não. Todavia, o respeito, que é fundamental, muitas vezes, é esquecido.

Ideologias e opiniões diferentes são faíscas e a fagulha incendiária é a vontade de mostrar que são melhores que os outros, com palavras duras que pregam totalmente o contrário do que qualquer religião: amor. Esse está em falta há bastante tempo e o que é “feito em nome de Deus”, segundo seguidores duvidosos, é fator de relevância para que a situação se agrave cada vez mais. O que a maioria não entende é que a culpa não é de algum deus, mas dos seguidores. Talvez, esse seja um dos motivos que leve ateus a serem ateus.

Quanto à política, a bancada evangélica na Câmara dos Deputados, por exemplo, tem causado muita revolta por sempre interferir. Isso se deve ao fato de que não atendem objetivamente às demandas para as quais foram eleitos, uma vez que há interferência da orientação religiosa. Tal fato distorce o sentido de ouvir e fazer o que os eleitores desejam e precisam. O interesse de todos deve ser ouvido e respeitado. Porém, defender algum posicionamento por interesses pessoais não é correto.

Há sobreposição de desrespeito, porque, muitas vezes, as pessoas não conseguem aceitar o fato de que existem outras com religiões e pensamentos diferentes. Ademais, uma religião pode ser correta e verdadeira para uma pessoa, mas não para todos, talvez, por criações e ambientes diferentes de convivência, porque se identificou e escolheu outra religião ou optou por seguir nenhuma.

Criticar o outro por (des)acreditar numa doutrina é desgastante e pode induzir discussões desnecessárias e improdutivas. Palavras maldosas fazem esquecer o porquê das próprias crenças. Em alguns casos, esquecem a humanidade e a bondade que qualquer religião prega ou quem são para provocar e o(s) deus(es) que seguem – caso sigam – para, simplesmente, odiarem.

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