Reforma ou retrocesso?

Tamires Mendes para o SOS Diversidade

Necessita-se, de fato, de uma reforma no sistema educacional brasileiro há anos, desde o currículo escolar ao ambiente e contextos dentro de sala de aula. Nos últimos dias, uma revolta se alastrou por educadores e estudantes, devido ao plano de ensino lançado pelo Presidente Michel Temer (PMDB). No entanto, outras pessoas apoiaram a mudança.

O plano assinado por Temer foi lançado pela ex-Presidente Dilma Rousseff (PT) como proposta de mudança educacional, mas, a partir de debates com educadores, foi considerado inviável diante dos desafios da educação brasileira. Ele consiste numa série de mudanças que tornariam matérias como educação física, artes, filosofia e sociologia optativas para o Ensino Médio. Isso ocorreria a fim de abrir entrada a cursos técnicos para concluir a carga horária do ensino médio.

A necessidade de formação com licenciatura para professores também passaria a ser optativa, fazendo com que qualquer profissional de notório saber pudesse ministrar aulas. A mudança altera as cargas horárias, o que desconfigura o sistema baseado em dias letivos. Vestibulares mudariam os formatos, transformando-se em teste de competências. A mudança pode parecer ótima e, até mesmo, viável para países desenvolvidos que investem em escolas e docentes, fato que, infelizmente, não ocorre no Brasil.

No Brasil, as desigualdades sociais são discrepantes, o índice de evasão escolar atinge 50%, as universidades e escolas públicas se encontram, em parte, sucateadas e de acesso elitizado mesmo com politicas de cotas. Professores e alunos são completamente desrespeitados pelo Governo quando reivindicam melhores condições de trabalho e de estudo.

O Presidente não exita ao retirar 45% das verbas das universidades, mas aprova o aumento o salário de senadores, os quais dizem que o Governo precisa retirar “regalias” dos professores. Precisa-se, claramente, de reforma na educação, a começar por sua valorização.

É fácil dizer que uma matéria não é útil pelo fato de não ter apatia por ela. A influência de matérias como artes e educação física, por exemplo, são motores que tiram crianças de ruas do subúrbio para irem à escola diariamente. Elas, muitas vezes, chegam a ir para a aula para ter o que comer. É comprovado que investimento em escolas e atividades culturais, além de incentivo à prática de esportes são mais efetivos quando em combate à criminalidade do que unidades pacificadoras em favelas.

No caso de sociologia e filosofia, consequentemente, lembra-se da existência do projeto de lei Escola sem partido, do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Ele prega a ideia de que educação de gênero, ideologias politicas ou partidárias, assuntos relacionados a temas religiosos, dentre outras abordagens que podem “comprometer” a formação do caráter critico e político dos alunos.

O projeto já foi exonerado pelo Ministério da Educação (MEC), mas a retirada da obrigatoriedade dessas matérias volta ao mesmo retrocesso proposto por ele. Afinal, por que o Estado tem tanto medo de alunos com formações politicas incisivas? Lembra-se que são matérias que fazem questionar os porquês das relações e hierarquias sociais e de trabalho, tal como quem nascer pobre só poder se submeter a ser operário. Por que tanto medo de querer calar uma revolução?

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