A agonia de precisar do transporte público no DF

Por Maria Ferreira

Era todo dia. Todo dia, fila, calor, pessoas. Tempo que passa depressa, barulho que enlouquece, cheiros, conversas e tanto desgosto. Tantos rostos cansados, feições emburradas, cenho para baixo e mão no rosto para tentar esquecer o destino e cochilar até onde der, o máximo que puder.

Passo tempo demais à espera, tempo demais dentro do ônibus da agonia. Um dia desses, não diferente dos outros,  vi a cobradora reclamar porque, da roleta, não passavam.

– Passar para onde, moça? Não cabe a gente e a senhora quer empurrar mais dez! – Disseram.

Movimentar-se em Brasília utilizando do transporte público tem se tornado uma tarefa cada vez mais cansativa e dificultosa. Isso porque a população cresce, mas o sistema de transporte não comporta a demanda. Para o governo, as melhorias estão acontecendo. Devagar, mas estão.

Um exemplo foi o programa Circula Brasília, lançado em maio de 2016, com o propósito de promover integração de ações e políticas do transporte público no Distrito Federal, de modo inclusivo, sustentável e seguro. Das ações, pode-se ressaltar: rede integrada de metrô, Transporte Rápido por Ônibus (BRT) e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além do bilhete único, obras em rodovias e ciclovias.

Segundo o site da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o secretário adjunto de Mobilidade, Fábio Damasceno, disse, na época, que a frota de veículos particulares no Distrito Federal dobrou nos últimos dez anos. Completou que, para reduzir os congestionamentos, é necessário investir em transporte público. O problema surge quando diz que há 55 carros particulares para cada 100 habitantes e que, para esses 100, é necessário um único ônibus para transporte.

De acordo com o Correio Braziliense, a Lei 5.641/2016 – que limita o número de passageiros em pé no ônibus – aprovada em 2015 e em vigor em março deste ano,  os coletivos do DF só podem transportar em pé metade da capacidade de passageiros sentados. A capacidade de um ônibus com pessoas sentadas é de 46 passageiros. Assim, cada ônibus só poderá transportar 23 pessoas em pé, totalizando 69. Isso não acontece e, nessa conta, sobram 31 pessoas . Não é necessário pesquisar muito para saber que o secretário foi contra a lei.

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Outro problema recorrente no transporte público são os que utilizam dele. Há quem desrespeite a fila, xingue, machuque… Ceder um assento para idoso(a)? Nem pensar. As pessoas cobram demais, reclamam demais de corrupção, mas não colaboram. Faltam consciência, altruísmo e, principalmente, empatia. Reclamar da educação precária e passar na frente de alguém que espera a mais tempo faz perder a razão.

Além da falta de educação, muitos assédios acontecem dentro dos ônibus. São homens sem respeito pela mulher e que se julgam no direito de tal ato. Isso ocorre ao ocupar o espaço inteiro do assento, por, simplesmente, não fechar as pernas ou por encostar indevidamente no corpo de uma mulher.

Há muita gente grossa por aí, gente que parece não se importar que o outro também tem problemas. Mas o estresse toma conta, digo por experiência. Essas mazelas da vida, como ter que entrar em ônibus, trazem raiva e desgosto. Eu só quero chegar em casa.

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2 comentários sobre “A agonia de precisar do transporte público no DF

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