Torcidas organizadas na política brasileira

Por Lorena Fraga

Em 2014, após as eleições presidenciais, o País se viu dividido. De um lado, Dilma Rousseff representando o PT; do outro, Aécio Neves pelo PSDB. Durante a campanha, debates acalorados – dentro e fora da televisão – tomaram conta da população. A preferência por um candidato ou outro tomou proporções enormes, o que se assemelha ao fanatismo de torcedores por times de futebol. O que parecia ter acabado com a vitória de Dilma se estendeu pelo campo político e se tornou uma briga fervorosa de “torcidas organizadas” compostas políticos e partidos.

O Brasil é conhecido internacionalmente como país do futebol e essa alcunha – até então lisonjeira para os brasileiros, porque retomava alegria e união do futebol – se tornou parâmetro para crítica sobre como eles tratam debate político como torcidas rivais. Isso se dá através de convicção exacerbada, pouco diálogo e acusações diversas.

Há casos mais graves, nos quais se ultrapassa o limite do desrespeito e ocorre agressão física. Tal relação chegou a ser classificada como sadomasoquista pelo Observatório da Imprensa. O cenário político brasileiro virou um maracanã a céu aberto onde, diariamente, cidadãos apostam e defendem candidatos como torcedores de um time o defendem em dia de jogo contra um grande rival.

Não é raro, em meio a discussões sobre política, escutar jargões como esquerdistacoxinha, ou petralha. Esses termos acusatórios reforçam desrespeito e discurso de ódio no meio político e vêm se agigantando na nação nos últimos dois anos. Perde-se respeito e transforma-se o debate – principal elemento de uma democracia plena e eficaz – em discussões, por vezes, agressivas.

Isso afeta de forma significativa o cenário eleitoral do País após a queda do Presidente Dilma. As eleições municipais de 2016 materializaram a cena em construção nos últimos tempos: candidatos foram tratados como heróis por eleitores na medida em que se tornavam vilões a serem combatidos. As urnas deram voz ao radicalismo e políticos com discursos extremistas como os dos eleitores foram levados ao poder.

Tal cenário pode ser interpretado como a descrença brasileira nos representantes. Cercados por escândalos de corrupção, agarram-se aos que, com discursos extremistas, prometem erradicar os problemas nacionais. A população busca em pessoas e partidos solução para seus problemas. No entanto, não percebem que só pode ser encontrada por meio do debate do qual carecem e, infelizmente, não se esforçam em construir. Enquanto isso, a política brasileira continua um clássico de futebol.

Um comentário sobre “Torcidas organizadas na política brasileira

  1. Roberto disse:

    Excelente artigo, concordo que as discussões políticas estão mais focada em agressão da imagem do que em buscar uma solução para os problemas do Brasil. Parabéns! !!!

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