Natal em Alepo

Por Luiz Martins da Silva

Agora, quando o mundo é quase fim,
Enfim, os rostos patéticos nas telas.

Mesmo por telepatia, um pouco tenham
De empatia para com as crianças de Alepo.

Sempre nascem meninos e meninas.
Antes, precipitam-se com as bombas de Herodes.

Eles só mudam de nome, renascem em palácios,
Não por mérito, mas, por reaprender lições.

Pode ser que nesta escola mais uma vida
E, novamente reprovados, com toda a sua turma.

Não que haja, como se imagina, moldes de maldades.
Há sim, ainda assim, o fascínio dos facínoras.

No final do filme render-se-ão, entregarão
Suas armas de brinquedo, matar.

Quando matarão em si a ilusão de saciar
A insaciável ilusão a que o poder protege?

Hoje, à noite, entre sombras e farpas
Mais uma Sagrada Família à esgueira.

Pode ser que as crianças se desgarrem
Depois dos botes e escaladas.

Pode ser que em algum shopping se choquem
Com mais cercas, muros e barreiras.

Por aqui, os paraísos também têm barras,
Tantos são os códigos de leis binárias.

Papai Noel e Natal, distantes referências.
Mas, é sempre bom lembrar, crianças nascem.

Uns, sem armas de brinquedo, ainda bem.
Outros, no fogo cruzado, até O louvam.

Foto: Dominique Soguel /NHCR

 

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