Machistas estão passando?

Por Luisa Bretas

Vinte e seis de março, último dia do festival Lollapalooza, ficou marcado pela transparência, objetividade e firmeza com que a apresentadora do Multishow Titi Müller usou para apresentar ao vivo o show do DJ Borgore, conhecido desde 2014 como “DJ mais odiado do mundo”. “Machistas, misóginas e babacas” foram os termos utilizados pela apresentadora para descrever as letras das músicas do DJ. O evento foi realizado dentro do Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O comentário de Titi repercutiu nas mídias sociais e foi o foco de portais de notícias como G1, Uol Notícias, Zero Hora, Folha de S. Paulo, Estadão e Hypeness. Em sua conta do Twitter, a apresentadora declarou: “e falei foi pouco”. “Não dá para ficar neutra sobre esse assunto”, complementa Titi em entrevista ao E+. O posicionamento dela trouxe relevância à pauta da violência e opressão à mulher em músicas consumidas todos os dias.

O Estadão divulgou matéria na qual lista diversas letras do DJ que possuem termos grosseiros, abusivos e opressores às mulheres, fortalecendo a opinião de Titi em relação a Borgore.

Alguns internautas fizeram críticas à apresentadora questionando porque ela não comentou a respeito de letras de funk também. Para responder a essas questões, Titi postou uma matéria do Hypeness na qual mostra uma página do Facebook que corrige letras machistas de músicas do sertanejo, samba e dos mais variáveis gêneros.

A página Arrumando Letras apresenta as letras de cantores, bandas e duplas sertanejas como Ciumento eu, de Henrique e Diego, Cartão Postal, do Exaltasamba, Faixa Amarela, do Zeca Pagodinho e Run For Your Life, do grupo The Beatles. Seguidores da página comentam o nome de músicas que acham a letra abusiva, machista e moderadores corrigem-na da forma como deveria ter sido escrita, respeitando mulheres e seus direitos.

O fato de Titi Müller ter se posicionado e não se calado diante do assunto mostra a voz que mulheres estão ganhando. Por ter recebido tantas críticas, percebe-se o quanto é preciso dialogar sobre o assunto e lutar pelo empoderamento.

Em seu show no festival, em 25 de março, o cantor Criolo discursou pedindo respeito às mulheres. “Qualquer mulher que você mexer no role é um ato de violência. Diga não à cultura do estupro”, afirmou. É uma pena que, no dia seguinte, Borgore tenha se apresentado no palco Perry. Porém, como Titi Müller falou: “eu gostaria de dizer que ‘machistas não passarão’ neste canal, mas vai passar agora, pelo menos no palco Perry”.

O número de músicas com letras machistas que estouram e fazem sucessos nas paradas não é pequeno, infelizmente. Por isso, uma reflexão para quem defende o DJ ou outros artistas ao dizer que suas letras apenas representam uma personagem: pense se é o que esse personagem fala que você quer repetir e cantar por aí, fortalecendo a opressão que mulheres lutam diariamente para se livrarem.

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