O que vem após o fim do mundo?

Por Marcos Miranda

Esse é o questionamento que fica após a divulgação da Lista de Fachin, considerada a delação do fim do mundo. Publicada pelo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o documento mostra um enorme fosso da corrupção brasileira, no qual a construtora Odebrecht dominava relações políticas e esquemas de licitações. A amplitude de nomes citados causou grande impacto e tomou conta nos veículos de comunicação assim como serviu para reportagens e matérias sobre os envolvidos. Poucas vezes, o cenário político esteve tão instável e exposto como agora.

Fachin divulgou a lista na terça-feira (11). Entretanto, o jornal Estadão já havia divulgado a lista de inquéritos abertos pelo ministro contra políticos investigados pela Lava Jato. Apesar da quebra de sigilo de grande parte dos inquéritos quebrado, o veículo divulgou informações de inquéritos sob sigilo no STF relativos à operação no dia seguinte.

A presidente do STF Carmem Lúcia determinou a criação de comissão de sindicância, a fim de investigar e esclarecer esses vazamentos. A principal preocupação é a segurança do sistema e futuros possíveis vazamentos. Em declaração à imprensa, ela afirmou que o STF “julgará os processos da Lava-Jato que são de sua competência independentemente de qualquer percalço ou tentativa de atraso, honrando a responsabilidade jurídica e a importância histórica, que a guarda da Constituição lhe confere”.

Logo após a divulgação, houve um alvoroço midiático. O Jornal Nacional dedicou grande parte da exibição aos depoimentos dos executivos da Odebrecht e às investigações dos principais nomes citados. Foram mais de quatro horas exclusivas às reportagens sobre a Lista de Fachin entre os dias 11 e 18 deste mês, segundo o portal Poder 360. Assim como em denúncias anteriores, o ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff foram os mais citados. Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), além do Presidente Michel Temer (PMDB) também estão entre os mais destacados no noticiário nacional.

A repercussão ultrapassa a divulgação midiática. Essa lista pode alterar o desenho atual do governo e influenciar nas eleições de 2018. Mudanças vão desde a perda de força do Congresso e dos ministérios, além de instabilidade econômica, à cassação e prisão de políticos. Ademais, será capaz de criar na população uma fuga da política tradicional, já que varias gerações de políticos podem ser dizimadas. O antipoliticismo visto em 2016 pode ressurgir mais forte nas próximas eleições.

Acompanhar o desenrolar das investigações e dos julgamentos da Lava Jato é de extrema importância para entender e projetar um possível cenário político. É necessário saber quais políticos e partidos restarão de pé após a avalanche de acusações e delações que estão por vir.

Compreender o descontentamento com a classe política e propor um novo modelo de gestão pode ser a salvação para a(o) candidata(o) que apostar na conquista de eleitores desesperançosos. Enquanto isso, acreditar num saudosismo de uma boa gestão anterior pode ser a saída para outros. A “delação do fim do mundo” deixa em um cenário imprevisível para 2018.

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