Terrorismo e violência ocidental

Por Natália Fechine

No dicionário Aurélio, terrorismo significa “modo de coagir, combater ou ameaçar pelo uso sistemático do terror”. Na segunda-feira (22), o Reino Unido presenciou um novo atentado, o mais sangrento em 12 anos, num show da cantora Ariana Grande. Para as pessoas que estavam na Manchester Arena, talvez isso nunca se defina em apenas uma palavra e as marcas serão levadas para a vida toda.

O ataque suicida resultou em 22 mortos e 64 feridos e foi cometido por um jovem identificado como Salman Abedi, de 22 anos, britânico de ascendência líbia e ligado ao  Estado Islâmico. O irmão, o pai do terrorista e, pelo menos, outras oito pessoas suspeitas de ligação com o atentado foram presas.

Entretanto, o jornal El País optou por criticar, falar dos conflitos e polêmicas pessoais da cantora. Ninguém esperava que essa tragédia fosse acontecer e que um dos alvos fosse Ariana. Ainda se observa, até mesmo com famosas e que levantam a bandeira da liberdade do corpo, a opressão por parte da sociedade machista, que vê a quebra de privacidade como trivial.

São estruturas e opressões criadas por uma sociedade que vê o sexo feminino como pedaço de carne – a cantora chamava atenção para denunciar isso – e que entende que ela deve se submeter a normas antiquadas. Ariana, todavia, também foi vítima do atentado, apesar de o ato de culpabilizar as mulheres que, como ela, pregam a liberdade não ser recente. E a sua carreira, como fica agora?

Outra matéria do El País abordava como a cantora deveria ter ficado calada em meio ao atentado. É certo que há pressão para que pessoas públicas se pronunciem e ela o fez, talvez de forma infeliz, pelo Twitter: “Destruída. Sinto muito do fundo do meu coração. Não tenho palavras” (tradução livre). E por que ela teria? Ela também estava abalada e não teria que ter resposta imediatamente. Falta empatia ao ignorar quão difícil deve ser processar esse tipo de violência extremista até para quem está na mídia.

Nas mídias sociais e veículos online, há diversos relatos do terror. O Uol informou, por exemplo, que uma fonte identificada como Hannah, que estava no show, disse ao jornal britânico The Guardian que “todo mundo gritava e tentava sair do local”. Outra espectadora, Isabel Hodgins, disse à Sky News que “cheirava a queimado, tinha muita fumaça quando saímos”. “Estamos apavoradas, tivemos sorte de sair sãs e salvas”, acrescentou. Elena Semino e o marido esperavam a filha do lado de fora quando houve a explosão. Ela ficou ferida no pescoço e nas pernas, porém, só buscou socorro médico depois que encontro a filha. “Só vi corpos por toda a parte”, disse.

Os terroristas escolheram uma apresentação onde havia, predominantemente, jovens, na faixa de 8 a 25 anos, e pais que os acompanhavam. De qualquer forma, terrorismo é  a forma mais perversa e repugnante de intolerância. Mas, o Ocidente também reproduz certas violências que devem ser abolidas e passar a pensar no outro independente de status, cultura, religião e país em que se nasceu. 

 

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