Pabllo Vittar e as várias faces da intolerância

Por Fernanda Araújo

No dia 20 de setembro, o Fantástico, programa dominical de maior audiência da TV brasileira, exibiu uma entrevista exclusiva com Pabllo Vittar e o lançamento do clipe Decote, uma parceria com Preta Gil.  A drag queen foi vítima de críticas ferrenhas na página em que se exibia a matéria. No site do G1, internautas questionaram o “agendamento LGBTQ por parte da mídia” e a discussão sinuosa referente aos costumes tradicionais sobre identidade de gênero.

Pabllo está aos poucos conquistando seu lugar na música pop brasileira, o que ao mesmo tempo a põe no olho do furacão da intolerância. Nascida há 22 anos, em São Luís do Maranhão, sob a alcunha de Phabullo Rodrigues da Silva, a drag queen canta, compõe e já acumula mais de 300 milhões de visualizações no YouTube.

O sucesso de uma drag queen em terras tupiniquins pode não ser tão estranho ao espectador brasileiro. Este deve estar familiarizado com nomes como Silvetty Montilla, Nany People e Vera Verão, mas o que está sendo reivindicado aqui é a posição da artista, visto que ela não se situa no lugar tão amplamente deixado a personalidades LGBTQ, o local do humor, da comicidade. E isso é o que parece haver de tão revolucionário nesta figura.

É claro que o sucesso e a representatividade que Pabllo traz incomodou. Na madrugada de segunda-feira (28), a artista teve sua conta do YouTube invadida e os vídeos de seus maiores sucessos apagados. A foto do perfil de Pabllo foi substituída por uma imagem do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) sem camisa.

Bolsonaro é conhecido por discursos preconceituosos, sobretudo contra a comunidade LGBTQ e suas ideias são amplamente difundidas pela internet de modo pouco anônimo. Outros vídeos foram adicionados à conta, incluindo material com conteúdo que mencionava pedofilia. Um dos vídeos, O Cancro, citava o grupo @Sh4dowNetwork como invasor. No Twitter o grupo afirmou não ter nenhuma relação com o ocorrido: “Não tenho nenhum envolvimento com o canal do Pabllo Vittar ‘ownado’, fizeram e botaram meu nome apenas”.

Os fãs mandaram mensagens de apoio para a cantora em todas as suas redes sociais e a incentivaram a denunciar para que o culpado pague pelo crime que cometeu. A hashtag #TodosComPablloVittar se tornou o assunto mais comentados no Twitter. A artista não se pronunciou em nenhuma rede social sobre o assunto, mas a assessoria disse a UOL que seus empresários estariam cientes e tomando as medidas cabíveis. Até a publicação desta matéria, a página já havia sido recuperada.

O ataque aparenta ser um caso isolado, mas apresenta de maneira simbólica a intolerância a que estamos sujeitos. É a cara do fanatismo sendo exposta por via do anonimato.

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