Agro é tech?

Por Bruna Yamaguti e Giulia Soares

Desde 2016, a Globo vem exibindo incessantemente a campanha “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo” nos intervalos das novelas, jornais e programas. A ideia é mostrar que os produtos agrícolas são a base da economia brasileira, estão em todos os lugares e empregam milhões de pessoas. Porém, a verdade por trás da grande indústria agropecuária seria nada agradável de exibir em horário nobre no principal veículo televisivo do País.

O Brasil é o maior exportador e produtor de carne do mundo, com um rebanho maior que a população brasileira – somos 207 milhões de habitantes, enquanto as cabeças de gado passam de 215 milhões. A produção agropecuária emprega 10% da população e é responsável por 8% do PIB brasileiro. A atividade é a que mais ocupa terras no Brasil, com mais de 92 mil hectares de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, por trás desses números que enriquecem o País, existem outros dados alarmantes. Mais de 6 milhões de animais são mortos a cada hora para a alimentação humana. Esses grandes rebanhos de gado criados para morrer são responsáveis, através de sua digestão, por 70% da emissão de gás metano na atmosfera. Esse tipo de gás é capaz de aquecer o planeta 86 vezes mais que o dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2014, a criação de gado produz mais gases do efeito estufa do que as emissões do setor de transporte. Noutras palavras, a indústria de carne e leite causa mais danos à atmosfera do que todos os carros, motos, caminhões, trens, navios e aviões juntos.

Além disso, a criação de animais para alimentação é responsável por 30% do consumo de água do mundo. Trazendo dados exibidos pelo documentário Cowspiracy, disponível na Netflix, para produzir um único hambúrguer são necessários 660 litros de água e 2500 litros para um quilograma de carne. No Brasil, a agropecuária é o setor que mais consome água e, também, o que mais desperdiça: 70% da água doce disponível no país é usada por essa atividade, porém, quase metade é jogada fora por produtores que não sabem utilizá-la, de acordo com A Gazeta do Povo, em março de 2012..

Em um contexto de racionamento de água para a população, o principal suspeito do desperdício não é apontado. A campanha publicitária da Globo estimula essa indústria  ao passo que também não mostra que ela é responsável por 91% da destruição da Amazônia. Mesmo assim, 10% da área de preservação do bioma corre risco de ser extinto para dar lugar a práticas que, supostamente, enriquecem economicamente a nação, com o apoio do Congresso Nacional.

Todos esses dados mostram a verdade por trás de uma atividade que, apesar de ter grande importância para a economia, possui problemas ainda negligenciados pelo governo e omitidos da população. Os grandes veículos da mídia ocultam a face gananciosa da indústria agropecuária e geram no público a impressão de que a população brasileira só ganha com os produtos feitos por ela. A premissa é a de que enriquem a economia, criam empregos e estimulam tecnologia, como mostrado nessa campanha exibida da TV.. Contudo, a realidade está longe de ser otimista e destrói o planeta aos poucos. Agro não é tech. Agro não é pop. Agro não é tudo.

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