Como a mídia define o belo?

O conceito de beleza têm sido definido pela mídia nos últimos tempos. A cirurgia plástica tornou-se rotineira entre os brasileiros.

Por Prisley Zuse 

Brasil, país tropical, conhecido mundialmente por suas belezas naturais e exuberantes, culturas diversas em um mesmo território, favorito no futebol e também um dos primeiros no ranking de cirurgia plástica. Segundo uma pesquisa realizada no ano de 2015, foram feitos mais de 1 milhão de procedimentos cirúrgicos em favor da estética, segundo o G1. Mas o que leva uma pessoa a fazer plástica? Medo de envelhecer? Desejo? Curiosidade? Influência de outra pessoa? Essas são questões difíceis de serem respondidas.

A mídia tem um peso grande na hora dessa escolha. Artistas, cantores, apresentadores, entre outros tipos de figuras públicas, têm milhões de seguidores em suas redes sociais. Para eles, mostram suas vidas, compartilham pensamentos, ideologias, cotidiano, refeições, lugares que frequentam, opiniões sobre variados assuntos, e também publicidade; além de apresentar tal produto, incentivam de forma indireta ou direta que seus seguidores os consumam.

A maior causa dessa exposição é a falta de responsabilidade que famosos têm ao compartilhar tais informações, não compreendendo a  noção de riscos e efeitos que possam acarretar. Muitas vezes, a intenção ao compartilhar as fotos não é ruim, mas as redes sociais viralizam de tal forma, que os seguidores passam a seguir seus modos de vida sem ao menos consultar um especialista.

Um dos maiores exemplos disso é Gabriela Pugliesi, 32 anos, personalidade das mais notáveis no campo de digital influencers. A blogueira têm cerca de 3,6 milhões de seguidores no seu Instagram. No YouTube, onde tudo começou, ela possui mais de 541 mil inscritos. No seu feed, Pugliesi conta o seu cotidiano, mostra e dá dicas de nutrição e exercícios físicos sem ter qualquer tipo de formação na área de saúde ou de educação física. Seu sucesso vem de muita dedicação nas atividades físicas e da sua boa forma.

Cada vez mais preocupam-se com o corpo, saúde e boa forma. Uma pesquisa feita pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) aponta que o número de integrantes em algum tipo de academia no Brasil, paga ou gratuita, subiu 38 vezes entre os anos de 2009 e 2015, de 699 para 27.101 indivíduos. Estes dados são positivos para a saúde brasileira, mas também mostram o quanto valorizam o belo imposto pela sociedade.

O autor e filósofo coreano Byung-Chul Han, escreve no livro A Salvação do Belo sobre como o feio torna-se repugnante, e, mesmo assim, é utilizado como forma de consumo, para mostrar que o consumidor pode se tornar o que sempre sonhou, como neste trecho:O que é polido e impecável não dói. Ele destaca a imposição da sociedade, onde o corpo fala por você, mostra sua classe social e sua personalidade, e afirma que as  pessoas importam-se cada vez mais com a beleza exterior.

Outro ponto a se destacar são programas como o Bem Estar, transmitido pela Rede Globo, que diariamente comenta dicas de saúde para a população brasileira. Ao longo do programa, polêmicas com nutricionistas convidados pela emissora ocorreram e os casos foram abafados e a programação continua normal. Um exemplo foi a sugestão de um endocrinologista, que recomenda a substituição das refeições diárias por shakes.

 

Capas de revistas ainda utilizam modelos magras e bonitas. A partir disso as pessoas idealizam que a magreza é o belo e o ideal. Ao longo dos anos, modelos plus size começaram a ter maior visibilidade, mas, mesmo assim, não simbolizam o verdadeiro significado de pessoas mais “cheinhas”. Este mesmo problema pode ser evidenciado em novelas e propagandas.

Hoje a indústria do entretenimento explora o feio e o repugnante. Tornam-se consumíveis. Mas o repugnante que hoje se oferece nos reality shows de ‘sobrevivência’ carece de qualquer negatividade capaz de desencadear uma crise existencial. Amaciam-no, impondo-lhe um formato de consumo”, afirma Byung-Chul Han, na obra já citada.

Em virtude da tecnologia, as pessoas refletem suas vidas em meio a fotos e postagens. Por causa dessa facilidade, as redes sociais entram como fator principal na influência midiática. Famosos, como qualquer outro ser humano, também utilizam desses meios para divulgar seu dia a dia, a diferença é que eles influenciam milhares de pessoas, seus seguidores, tornando a imagem ou publicação um “estilo de vida” .

Esta consequência ocorre pelo excesso de positividade, onde uma “imagem pode valer mais do que mil palavras” e também gera uma idealização de algo distante. Por estar distante de tal realidade, ao ver a postagem com sorrisos e pessoas em volta, entende-se o consumo como o caminho rumo a felicidade a partir da imagem. Por isso, Han afirma: Quanto menos caráter e menos forma se tem, quanto mais liso e polido e mais escorregadio se é, mais friends se têm O Facebook é um mercado da falta de carácter”.

 

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