História do mundo em quadrinhos

Como super-heróis se encaixam no contexto histórico do mundo.

Por Roberta Pissutti

Salas de cinema lotadas, longas filas e um grande número de acessos em sites de compra de ingresso. Foram essas as características que marcaram os últimos dias, durante o lançamento do novo filme de super-heróis da Marvel Vingadores: Guerra Infinita. O longa, que estreou na última quinta-feira (26) aqui no Brasil, se tornou a maior estreia de todos os tempos, arrecadando US$640,9 milhões em menos de uma semana.

É claro que só o simples fato de o filme apresentar uma produção megalomaníaca, com mais de 31 personagens icônicos do universo Marvel, já pode causar uma grande comoção. Mas há muitos anos a indústria que reproduz esses heróis cresce e não são apenas os belos rostos dos atores que influenciam nisso.

Além das clássicas histórias em quadrinhos, as duas maiores empresas desse ramo, DC Comics e Marvel, vêm lançando filmes desde 1951. E, ultimamente, vêm investindo em séries, como Arrow da DC, que lançará sua 7° temporada no próximo semestre, e Os Defensores da Marvel, que juntou 4 heróis já conhecidos por seus próprios programas em um só show.

Então, o que atrai todo esse público?

Seria pelo desejo secreto que todos nós temos de poder colocar uma máscara e trazer  justiça ao mundo? Pelo sonho de possuir um superpoder? Ou pela necessidade de ver figuras que protegem a população, quando, muitas vezes, os governantes não fazem o necessário e a ameaça está em quem deveria estar defendendo o país?

Acontece que nem só de guerras infinitas e ataques extraterrestres é feita uma HQ. Essas figuras quase místicas foram criadas como válvula de escape e uma maneira de representar grandes acontecimentos do mundo. Foi assim que nasceu o Super Homem. A figura de um homem de aço que protegia o país era exatamente o que a população queria por perto quando os Estados Unidos sofreu a grande crise econômica em 1929 e a Europa tremia com a chegada da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

É fácil perceber quão grande é a influência de super-heróis quando paramos para analisar as três grandes eras nas quais eles são separados e que representam os maiores picos na criação e consumo das histórias ligadas aos heróis.

A Era de Ouro vai do final da década de 1930 até meados de 1950, época que sucedeu a quebra da bolsa de Nova York e pela Segunda Grande Guerra. Já a Era de Prata vai até meados de 1970 e é marcada pelos avanços tecnológicos e científicos e pela chegada do homem ao espaço, o que influenciou a onda de histórias de ficção cientifica na época. Por fim, a Era de Bronze, que vai até o final dos anos 1980, surge após a Guerra do Vietnã (1955-1975) e durante os acontecimento da Guerra Fria (1947-1991).

Quadrinhos são escritos por gente como a gente, artistas que buscam expressar suas crenças em suas criações, ao mesmo tempo em que tentam vender seu produto manifestando os gostos do público. Não passam, então, de um tipo de mídia de massa e, portanto, representam a cultura e os valores sociais apresentados pela população no período de sua criação. Assim nasceu a Mulher Maravilha, como imagem ideal para o movimento feminista da época. Já o primeiro super-herói negro a ter sua própria revista, Luke Cage, veio em 1972, acompanhando o Partido dos Panteras Negras e a luta pelos direitos nos Estados Unidos.

Hoje, esses personagens são usados como exemplos a serem seguidos. Agindo como ideais em situações fictícias nos filmes, mas que representam momentos históricos de maneira óbvia e lidam com problemas diretamente relacionados às diferentes situações políticas e econômicas do nosso planeta. Essas características acabam tendo grande influência nas crianças e adolescentes que compõe grande parte do público consumidor.

Diversas pesquisas apontam que os antigos heróis, que possuíam identidades secretas e dividiam seu tempo entre salvar o mundo e viver a vida como cidadãos normais, com fraquezas e problemas, tinham uma boa influência no público mais jovem, expondo eles a valores de grande importância como coragem e ética. Enquanto os personagens mais atuais, principalmente os representados nos filmes mais recentes, costumam ter o efeito contrário, trazendo uma visão mais agressiva na tentativa de atingir um público mais abrangente, e não apenas o infantil.

É importante notar o quão facilmente se pode manipular opiniões com produtos da cultura de massa, disfarçando a mensagem passada em meio a piadas, cenas de ação e figurinos incríveis. Além de um grande entretenimento, os super-heróis acabaram tornando-se os maiores influenciadores de opinião da atualidade.

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