Romantização da maternidade proclamada pela mídia

Imagens de mães sempre puras, perfeitas e felizes vendida pelos meios de comunicação

Por Geovana Melo

Desde pequenas, muitas meninas ganham bonecas a fim de treinar para, no futuro, se tornarem boas mães. Entretanto, quando essas, na fase adulta, contrariam patriarcado e mídia, e não compram essa idealização de maternidade perfeita, elas são julgadas.

A ideia de que todas as mulheres nasceram para ser mães deriva do sistema patriarcal, no qual o homem é provedor da casa e mulher deve cuidar dos filhos e dos fazeres domésticos.Noutras palavras, por vivermos em um mundo majoritariamente machista, há uma forte pressão social sobre a mulher e a necessidade de ela procriar, no intuito de se tornar completa e feliz.

 No entanto,esses estigmas impostos pela sociedade decorrem da mídia, que por meio da romantização da maternidade visa vender a vontade de ser mãe criando um estereótipo de “ser perfeito”, uma “super-mãe”, fato visível em diversas propagandas em homenagem ao Dia das Mães.Como por exemplo, a propaganda atual das lojas Riachuelo, em que vendem uma campanha com o verbo ser em sua forma imperativa, ditando um modo de agir.

Esse modelo propagado pelos meios de comunicação, passa a ideia de que as mães não estão sujeitas a problemas e dificuldades, mas eles existem. Porém, considerando o fato de que a mídia pode ser formadora de opinião de grande parte dos indivíduos, quando as mães não realizaram o que foi estipulado como regra da maternidade, elas são fortemente atacadas.

Em 2016, foi lançado no Facebook o Desafio da Maternidade, que consistia em postar fotos que faziam mulheres se sentirem felizes em ser mães. Todavia,  a dona de casa,Juliana Reis resolveu lançar, a partir desses posts, o Desafio da Maternidade Real e mostrou como era seu dia a dia como mãe e sofreu várias críticas. Sua página foi bloqueada e ela, acusada de não amar o filho. Contudo, afirmou: “Quero deixar bem claro que amo meu filho, mas odeio ser mãe”. Declarações como essa causam estranhamento, pois parecem antônimos, quando comparados ao senso da maioria dos veículos midiáticos.

Em contrapartida, quando essas mulheres veem figuras conhecidas pela mídia, desmistificando a maternidade, elas se sentem representadas, como foi o caso da entrevista dada, em junho de 2017, pela cantora Pitty à Folha de S.Paulo, em que ela disse:

“A maternidade é tão idealizada, tão associada a um negócio divino, sagrado, como se a mulher virasse meio santa quando está grávida, que eu acho que as pessoas esquecem que tem uma pessoa real ali passando por isso. […] A maternidade é um negócio incrível, estou amando, mas eu quis! A vida não se resume a isso, tem gente que não quer. Faço questão de falar isso porque sei como é estar no lugar de ser cobrada. Não acho justo botar essa carga em cima das mulheres”.

Desse modo, embora haja pressão da mídia em relação à maternidade, no intuito de vender a vontade ser mãe, com o argumento de que é necessária a maternidade para mulheres se tornarem completas e realizadas, ser mulher vai muito além e engloba outros vários fatores, como por exemplo, uma carreira profissional e escolhas que não envolvam, necessariamente, a maternidade.

Um comentário sobre “Romantização da maternidade proclamada pela mídia

  1. Entre Mães disse:

    Oi, estamos produzindo um documentário sobre a idealização da maternidade e conflitos maternos entre mães e filhas e estamos em busca de mães dispostas a participar. Quem tiver interesse chama inbox e dá uma olhadinha na página que tem mais informações sobre o projeto.: )

    Curtir

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