A esperança é a última que morre

Ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais. Com o foco no campo, qual rumo o Brasil terá?

Por Prisley Zuse

Dois mil e dezoito, ano de esperança. Ano que a Lava-Jato continuou, de eleições presidenciais e por último e não menos importante, ano de Copa do Mundo. Faltam 21 dias para uns dos eventos mais importantes para os brasileiros, que acontecerá na Rússia e os preparativos estão a todo vapor. Dois mil e dezoito é ano de reunir os amigos para assistir o jogo acompanhado de um bom churrasco e esquecer os problemas do país, que veste verde e amarelo no campo e é motivo de orgulho para muitos cidadãos.

Copa do Mundo é motivo, também, de alegria para a economia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  a produção industrial cresceu e as vendas só aumentam, evento já esperado em época de Copa. Em em comparação com o mesmo período do ano passado, as vendas de televisores já estão em torno de 40% a mais e os varejistas esperam que chegue em volta de 60%. Além do mais, o comércio também fica agitado. Um sopro de esperança para economia brasileira, que ainda não se recuperou da crise. Essa fase pré-Copa é cheia de entusiasmos. 

Em 2014, quando o evento futebolístico foi sediado em território brasileiro, especialistas mostraram que os efeitos poderiam ser melhores nos setores de comércio, infraestrutura, economia, entre outros, segundo a matéria do Jornal Zero Hora. Super faturamentos, atrasos nas obras e pouca infraestrutura mostrou para o mundo que o Brasil ainda tem que melhorar em vários aspectos, por exemplo, principalmente, depois do 7×1 contra a Alemanha. O país sofre com a crise e os brasileiros com a falta de empregos, inflação, pouca qualidade de transporte público etc. Mas o que ninguém percebe é como a política tira proveito da situação, particularmente em época de eleição.

No país, as eleições federais coincidem com o ano das copas do mundo, e na passada não foi diferente. A matéria do jornal Zero Hora  também comenta que a Copa do Mundo de 2014 foi um caso à parte, por ter acontecido no Brasil, então os candidatos aproveitam para mostrar se o evento foi bem ou mal sucedido e utilizaram isso como campanha eleitoral, se beneficiando da situação. Dentre diversas opiniões que o jornal ouviu, uma chama atenção, no qual comenta que seja ou estiver, se futebol for o assunto, a política também entra no meio de forma indireta, como se fossem assuntos entrelaçados.

Este tipo de política é originado no Império Romano e é chamada “política do pão e circo”. Naquela época essa estratégia era utilizada para a manipulação da população por meio de doações de alimentos, grandes eventos e festas oferecidas pelo governo, enquanto mascaravam os problemas sociais da época. Na era atual, essa política não se tornou esquecida, e sim, muito utilizada com ajuda das grandes mídias.

Os mais importantes canais de comunicações só transmitem informações e notícias relevantes para elas mesmas, em que de alguma forma ou outra, ganham com tal repercussão, como apoio político, capital e audiência. Com o poder da mídia centralizado em apenas algumas famílias, por exemplo, a Família Marinho. Sendo assim, a população brasileira acaba não possuindo uma diversidade de informação e opinião. Mas o que isso tudo tem haver com o futebol? Se pensarmos na “política do pão e circo”, o futebol não é apenas um jogo, mas, sim, um grande evento de suma importância para o país.

Os brasileiros, independente do time estadual ou municipal, sentam todos juntos de frente a um telão para assistirem aos jogos da Seleção. Enquanto isso, por exemplo, ocorrem protestos contra alguma votação que está ocorrendo no Senado. Qual desses dois eventos terá mais repercussão e audiência? O futebol, com certeza, deixando de lado uma votação que possivelmente possa beneficiar aos políticos ou afetar os cidadãos. O principal ponto a ser debatido é que na fase pré e durante Copa o país reage de uma forma e dependendo do resultado final, a reação pode ou não ser favorável.

Nos anos 1970, o time brasileiro ganhou sua terceira copa do mundo, e o governo utilizou como propaganda da Ditadura Militar (Governo de Médici, Anos de Chumbo, AI-5 em vigor, milagre econômico). Em 1994, ano que o Brasil ganhou a copa pela quarta vez, o país sofria com uma forte inflação e neste ano o Plano Real estabilizou a economia. Quatro anos mais tarde, em 98, o Brasil foi eliminado pela França na final e a economia brasileira se afundava em uma crise financeira. Em 2002, a Seleção se torna penta-campeã e a economia começa a se reerguer. Em um cenário mais atual, em 2014, o time verde e amarelo perdeu de 7×1 para a Alemanha e a economia entra em crise, além que Presidenta Dilma sofrer impeachment. E o que esperar da Copa de 2018? 

Em um estudo feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e publicado no RFI, mostra que o PIB do Brasil deve crescer 2,2% em 2018, média maior do que outros países sul-americanos. Em 2015, o dólar chegou nas alturas, e isso aconteceutambém em 2002, segundo uma reportagem do G1. Com a economia se reerguendo e cenários políticos-econômicos parecidos, não seria um sinal do Hexa?

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