#Elenão: luta das mulheres

Oposição feminina à homofobia, ao machismo, ao racismo e ao autoritarismo.

Por Júlia Mano

Com o crescimento das intenções de votos ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e seu isolamento em primeiro lugar, segundo as pesquisas do Datafolha e IBOPE, mulheres se uniram e iniciaram um movimento contra o candidato por meio de um grupo fechado no Facebook, criado no dia 30 de agosto, intitulado “Mulheres unidas contra Bolsonaro”.

O grupo tinha como finalidade unir e fortalecer o eleitorado feminino que se opõe veementemente ao candidato à presidência, em decorrência do seu discurso de ódio contra as minorias – LGBT+, mulheres, negros, indígenas e quilombolas – desde o início da sua vida política e, também, por apresentar ideias autoritárias e de extrema-direita, que se alinham com o fascismo (defesa do autoritarismo, do nacionalismo, do militarismo e  da hierarquização da sociedade, no caso do candidato), e que atingem diretamente a jovem democracia brasileira e os seus defensores.

O movimento virtual conseguiu unir mais de 2,5 milhões de mulheres e conquistou espaço nas manchetes dos principais jornais brasileiros, como relatado pelo OGlobo, quando o grupo atingiu a marca de 1 milhão de membros. Com a grande visibilidade que a marcha digital ganhou, o grupo foi hackeado, no dia 15 de setembro, pelos popularmente chamados Bolsominions – os quais são os eleitores mais fieis a Bolsonaro – que expulsaram a maioria dos membros, as administradoras do grupo e alteraram seu nome para “Mulheres unidas com Bolsonaro”.

Com esse ataque direto à liberdade de expressão política feminina, as participantes do grupo iniciaram outro movimento no espaço público das redes sociais. Por meio do Twitter, Facebook e Instagram, levantaram a hashtag #Elenão e #MulheresUnidasContraBolsonaro, que foi aderida rapidamente por diversas artistas brasileiras –  com destaque para Deborah Secco, Pitty, Daniela Mercury, Karol Konká, a youtuber Kéfera, Alinne Rosa, Fernanda Paes Leme, Claudia Raia, Débora Falabella que foram uma das primeiras a se manifestarem.

Em oposição ao movimento feminino antibolsonaro e seus apoiadores, os eleitores de Jair e aliados lançaram a hashtag #Elesim. Entretanto, em análise feita, a mobilização contra o presidenciável contou com 338 mil perfis engajados e 1.4 milhões de tuítes, entre os dias 7 e 20 de setembro, desvalorizando o movimento a favor do candidato e fortalecendo o de resistência. Por outro lado, a quantidade de artistas, intelectuais e cientistas brasileiros que assinaram o Manifesto contra Bolsonaro, até o dia 24 de setembro, já ultrapassava a quantidade de trezentas mobilizações.

O grandioso engajamento da hashtag #Elenão se posicionou por vários dias nos trending topics mundiais do Twitter. Assim, artistas estrangeiros tiveram acesso ao momento político brasileiro e puderam se engajar, como Dua Lipa, a banda Black Eyes Peas, Dan Reynolds do Imagine Dragons, Stephen Fry e Ellen Page – que já entrevistaram Jair Bolsonaro, ela para o seu documentário, Gaycation, de 2016 – Alfonso Herrera, Lauren Jauregui, Nicole Scherzinger, Kehlnai, Jessica Wild, Madeline Brewer, alguns atores de Greys Anatomy e, mais recente, a cantora Madonna e o ator Mark Hamill, o Luke Skywalker da franquia Star Wars.

Além do meio artístico, a campanha contra o ódio e o autoritarismo do presidenciável ganhou espaço nos principais jornais do mundo. No The New York Times: Jair Bolsonaro, Candidate in Brazil, Faces Women’s Calls: #NotHim (Jair Bolsonaro, candidato no Brasil, enfrenta as chamadas femininas: #NotHim); Brazil Flirts With a Return to the Dark Days (Brasil flerta com o retorno de dias obscuros); Na BBC: Why Brazilian women are saying #NotHim (Por quê mulheres brasileiras estão falando #EleNão).

Porém, análises políticas realizadas pelos veículos estrangeiros e afirmações feitas por especialistas não foram suficientes para mostrar à maioria do eleitorado do candidato a problemática dos seus discursos e as suas, poucas, propostas. Mesmo após lutas contra o racismo, o machismo, a misoginia e a homofobia, é visto que todas essas formas de preconceito ainda são bastante enraizadas na sociedade brasileira.

Mas o movimento realizado pelas mulheres, pelas redes sociais, refletiu nas últimas pesquisas realizadas pelo Ibope e Datafolha. O deputado federal atingiu o percentual de 46% de rejeição – ou seja aqueles que não votam de maneira nenhuma no candidato – e suas intenções de votos reduziram, com o presidenciável chegando a perder em todos os cenários previstos para o segundo turno.

A campanha contra o candidato foi para as ruas ontem, dia 29 de setembro, em diversas cidades brasileiras e estrangeiras. Elas subiram a hashtag #ÉPelaVidadasMulheres e às 14h da tarde, já eram assunto mundial no Twitter.  Pois, não há como, em pleno 2018, depois de tantas lutas e conquistas de negros, quilombolas, mulheres e LGBT+, permitir  que um candidato que em suas falas destila ódio contra grupos minoritários e defende todos os horrores que ocorreram contra a liberdade civil durante a Ditadura Militar, se torne o próximo presidente do Brasil.

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