A delicadeza de ser repórter

Por Kellen Barreto

Entre as delícias e os dissabores de ser repórter está o privilégio de ver as coisas acontecerem de perto. Desde a miséria de pessoas que vivem sem esperança de uma vida melhor e mais digna, até poderosos chegarem ao poder, rodeados de riquezas e intenções. São história e estórias, problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos. Acredita-se que o Jornalismo é capaz até mesmo de fomentar transformações sociais.

A rua é a casa de fatos, o escritório do repórter. É nela que grande parte do trabalho acontece. Vivenciar a notícia é saber ouvir mais do que perguntar, ouvir a fala e o silêncio das pessoas. Sentir a dor dos outros, ter verdadeira empatia por, muitas vezes, personagens – vítimas de mazelas da vida.  É viver dentro da rotina, a não rotina. A mente é preciso estar aberta para se atolar na rua, que é para evitar pré julgamentos, erros que jornalistas correm o risco de cometer, mas que não deve ocorrer.

Pelas palavras de Eliane Brum, “é aprender todos os dias a olhar e escutar”. É dar voz, a quem não tem visibilidade, pessoas que, talvez, nunca seriam notícia. É contar com a generosidade do mundo, contar com indivíduos que saem de casa e na correria da rotina, aceitam parar e dar entrevista, algumas vezes, até mesmo, de abrir a porta de suas casas e entregar toda a história de vida. Ao repórter, cabe o dever de ter a consciência de que a história de alguém é o bem mais precioso daquele ser, e contar aquela história dentro da linguagem jornalística com empatia e responsabilidade.

Ser repórter é muitas vezes cobrar do parlamento, cobrar por aqueles que não podem no congresso se fazer presente. E denunciar injustiças e dar visibilidade, levar a notícia todos os dias e para todos, sobre o que acontece no país, no mundo e pode impactar a vida de qualquer cidadão. E traduzir o juridiquês das instituições para quem nunca frequentou a escola, para o seu João do cafezinho que só tem até o segundo grau e conversar também com doutores, professores, todos os chamados “estudados”. Uma profissão feita com pessoas, por e para as pessoas.

É a entrega completa. É esquecer do mundo quando se entra na redação e se doar por completo para a pauta do dia. Jornalista não é juiz para julgamentos, nem Deus para salvamento e condenações, não cabe a profissão. Mas é uma espécie de “escutandeiros”, prontos para ouvir e em seguida mostrar todos os lados e vozes de um acontecimento. É um desejo constante de contribuir para melhorar qualquer pedacinho de uma realidade cruel. Nem que seja um asfalto em um rua de um bairro afastado do centro, nem que seja chamar a atenção da sociedade para problemas políticos, econômicos, ambientais,sociais ou qualquer outra coisa que antes não era visto ou discutido.

Ser repórter é descobrir realidades e realidades, é nunca voltar o mesmo ser humano de uma pauta. É descobrir todo dia um mundo novo, é aprender jornalisticamente e humanamente todos os dias, em todo instante. É colecionar corações, vidas, acontecimentos, histórias e estória.

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