E DEPOIS?

Por Luiz Martins da Silva

Terminada a campanha de farpas, injúrias, difamações e calúnias, esquecer o circo de horrores e partir para a leal e patriótica oposição? Apresenta-se o dever que prescreve a Democracia, mas ela tem de ser respeitada, sobretudo face a declarações em secando direitos fundamentais, humanos, sociais e trabalhistas.

Aos poucos, entrelinhas, arroubos e gestos vão-se traduzindo . A que interesses servem antipatias por terras indígenas; galhofas em cima de quilombolas; estranhamentos em relação a “jaboticabas” e, como sempre, a ciumeira quanto a tudo que é público e gratuito? Negócios e negócios assentados em agrados para com o agronegócio; as mineradoras; o empresariado (daí, o fim do 13º); a indústria de armamentos (“bancada da bala”); e tudo a ver com o terrorismo moral deflagrado pela combinação de fé e finanças (“bancada evangélica”) por parte de organizações nacionais e internacionais, ávidas em pintar a “Esquerda” e os “esquerdistas” como agentes do Demônio e da decadência dos costumes. Como sempre, a velha anedota do Perigo Vermelho.

A História demonstra que um regime socialista não se implanta simplesmente com a eleição democrática de uma liderança, haja vista o massacre de Salvador Allende. Essa chantagem, no entanto, não se cria mais, não ganha lastro. Haverá, sim, protestos quando a docilidade do Congresso ameaçar direitos adquiridos. As pedras desse dominó começam a ser dispostas, incluindo as peças que demandam emendas constitucionais ou o sacrifício da própria da Carta Magna.

Governar para todos? Pouco provável. Mas, todos temos de ser fiscais, na situação e na oposição. Por sinal, o Voto Consciente, campanha cívica veterana em vários países, consiste em marcar rente aos calcanhares dos ‘representantes’ e não aceitar calote nos compromissos assumidos. No consumo, existe a figura do Direito de Arrependimento. Deveria existir para candidatos de propaganda enganosa e mutantes. O latim romano já advertia: Vulpes mudat pilum non mores (A raposa muda de pelo, não de costumes). O consumidor vitimado por enganos e ardis consegue ressarcimentos. Também o eleitor iludido deveria ter o seu voto devolvido, faltando o decoro. Na esfera do consumo, qualquer cidadão é parte na exigência de reparação. O mesmo deveria reger cidadãos-eleitores.

Finda a peleja, esquecer as ofensas? Campanha política é jogo, estratégia e, como soe a alguns, guerra. Também a guerra chega a um fim. The war is over! É o brado que antecede a paz e a volta da tranquilidade e das rotinas. Eleger um Presidente é fulcral, mas não é tudo. O conjunto de nossos eleitos; nossas presenças na vida cívica (somos ou não cidadãos?); nossas reivindicações; e nossa vigilância estarão positivos e atuantes. Algum prêmio de consolação? O mais simples, mas de imenso valor, a certeza de fomos e continuamos protagonistas e não conformistas inertes.

Trabalhar e vigiar, mas, também, confiar. Como assinalou Platão (A República) e (com adaptações) o nosso Dominguinhos, no alto há uma luz maior a nos guiar. Que na hora do juramento, as palavras não sejam meramente protocolos. História e Memória hão de referir para além dos mandatos. Não à toa, ficam os retratos nas galerias. A honra, no entanto, vai além das honrarias.  Por isso, o mais roto dos políticos sabe, o seu valor se avalia em reputação. O eleitor também sabe disto.

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