A disseminação do discurso de ódio nas eleições

O processo eleitoral 2018 marcado por manifestações intolerantes  

Por Geovana Melo

Não é de hoje que o Brasil apresenta um panorama totalmente intolerante e preconceituoso, já que sua história é pautada em vários momentos de opressão e de violência, como o Estado Novo de Vargas e a Ditadura Militar. E mesmo após 33 anos da redemocratização do país, a democracia está ameaçada por visões arcaicas, como a ampliação do porte de armas.

Apesar desse discurso ter se intensificado com o advento das eleições, esses preconceitos sempre existiram na sociedade brasileira, visto que, mesmo sendo considerada uma nação relativamente moderna, é a que mais mata LGBT+ no mundo, segundo um relatório do Grupo Gay da Bahia – GGB –  e que mesmo depois de 130 anos do fim da escravidão, o racismo ainda está muito arraigado no Estado. Com isso, as manifestações intolerantes estão se destacando no cenário atual. 

Dessa forma, as incitações ao ódio estão cada vez mais presentes na eleição vigente. E no segundo turno do pleito eleitoral, essas disseminações aumentaram consideravelmente, uma vez que a disputa é composta de ideologias e propostas totalmente opostas, de um lado Fernando Haddad e de outro Jair Bolsonaro.

Com isso, é observado um crescimento nos discursos de ódio durante este período eleitoral. Isso é possível, não porque as pessoas estão sendo mais preconceituosas e sim pelo fato que estão tirando o preconceito “do armário” e o difundindo, devido a uma onda de intolerâncias  propagadas pelos candidatos, às quais se intensificam com as redes sociais e com as fake news.

Diante disso, uma série de medos vem se instalando na sociedade, principalmente para as minorias sociais (LGBT+, mulheres, negros, indígenas e quilombolas), com graves consequências acarretadas por convicções políticas autoritárias e extremadas do presidenciável Bolsonaro, que incentivam seu público eleitoral a ter condutas parecidas.

Também, as desavenças entre familiares e amigos têm sido comum nessa fase, dado que as divergências estão sendo expostas e a imposição de uma ideologia única como verdade absoluta reflete no cotidiano dessas pessoas. Além de que, muitos indivíduos não vêem sentido em conviver com alguém que mesmo indiretamente, não o representa.

Segundo os dados coletados pelo Centro para o Estudo do Ódio e do Extremismo na Universidade Estadual da Califórnia, após a eleição de Donald Trump os índices de crimes de ódios nos EUA aumentaram. Desse modo, vale ressaltar que a campanha política de Trump era extrema e conservadora. Ou seja, os discursos dos presidenciáveis refletem na sociedade.

Exemplo disso, foi a violência sofrida pelo próprio candidato do PSL, que durante uma campanha em Minas Gerais, foi atingido por uma facada, por um cidadão que se diz contrário à sua ideologia. Além disso, uma moça de 19 anos que andava com uma camiseta do movimento “Ele não”, foi agredida por três homens, e teve uma suástica (símbolo do nazismo) desenhada à canivete em sua pele, entretanto o delegado responsável pelo caso, disse que o desenho não é um simbolo extremista. Ainda, um mestre de capoeira foi morto por 12 facadas, após dizer que votou no PT. Assim, a mídia falha com a pouca divulgação de notícias como essas, visto que seu papel é informar e exibir ideias, no intuito de formar opiniões.

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