Até que ponto a vida imita a mídia?

Os meios de comunicação como fatores determinantes na formação dos indivíduos

Por Beatris Silva de Deus

Apesar de estarmos em 2018 e a mídia se enxergar evoluída e aberta, ainda é possível deparar-se com o racismo, o machismo e a homofobia na programação da maioria das emissoras. Um exemplo desse comportamento retrógrado são as novelas brasileiras, que ainda insistem em representar apenas uma pequena parcela da sociedade.

Novelas, séries e filmes retratam a “perfeição”, os protagonistas, em boa parte dos casos, são pessoas magras,  com cabelos liso, com vidas perfeitas e que nunca cometem erros. Tudo que está à margem desse ideal é relegado a segundo plano, tratado como erro, como algo que precisa ser melhorado.

Através de alguns enredos praticamente iguais, que seguem uma fórmula pejorativa e que limitam um país tão rico e diverso como o Brasil, somente ao sudeste, tentam homogeneizar a população brasileira, reduzir as suas particularidades e demonizar a espontaneidade.

Os velhos discursos machistas e racistas continuam sendo reproduzidos de forma sútil, através da programação do horário nobre, como por exemplo: os homens nunca choram, as mulheres são apresentadas de forma frágil, sempre precisando ser defendidas. Preza-se pela perfeição, por corpos perfeitos, relacionamentos ideais.

Obviamente, a sociedade não assiste a esses abusos de forma passiva. Pelas redes sociais fazem pressão, seja quando uma marca posta fotos racistas, mulheres são objetificadas em propagandas de cerveja, entre outras ocorrências.  Continuam a luta, por igualdade e respeito, de seus antepassados brasileiros que precisaram, em um país tão desigual, brigar pelo direito de ter direito.

Os padrões de perfeição da mídia nos acompanham desde a infância. Queremos ser como os personagens do cinema, ter a sorte deles, o rosto e corpo de uma minoria. A vida real é bem diferente: não tem cenários, nem momentos perfeitos, para algumas pessoas viver é correr atrás de ideais de beleza, que são reproduzidos diariamente pela mídia e que representam os interesses de um pequeno grupo, a elite.

O batom não pode borrar, um quilinho a mais passa a ser um calvário, um sorriso com dentes tortos não é mais aceito, alisar o cabelo para que fique igual ao da mocinha do último filme lançado. Parece que estamos em uma corrida, para ver quem tem o melhor desempenho em se esconder de si mesmo. Precisamos nos podar para se adequar a mídia que nos robotiza.

Surgem cada vez mais obras, celebridades e influenciadores digitais, que pregam o basta aos padrões estabelecidos pelas novelas, filmes e séries de TV. Porém, ainda se faz necessário, uma maior conscientização da mídia ao retratar “minorias” que não se adequam ao estereótipo reproduzido por veículos de comunicação e que merecem ser retratadas de forma justa.

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