Xenofobia em meio à crise política

Quando ideias partidárias contrárias se tornam razões para fazer xingar e difamar a imagem de outrem

Por Millena Campelo e Júlia Mano

Com o resultado do primeiro turno das eleições, os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) irão disputar o segundo turno. Diversos eleitores do presidenciável do PSL manifestaram sua indignação com o resultado, por meio do Twitter, em que o assunto Nordeste ficou nos trending topics da plataforma, Facebook e grupos de WhatsApp com comentários xenofóbicos destinados à região nordestina, onde o candidato do Partido dos Trabalhadores ficou em primeiro lugar em quase todos os Estados e a adesão de votos à Bolsonaro foram baixas — como o terceiro lugar no Ceará.

Críticas à região são lançadas há anos. Os nordestinos são chamados de preguiçosos, malditos, entre tantas outras nomenclaturas de baixo calão, demonstrando racismo e a xenofobia das outras localidades do país para com eles. Nas redes sociais, os comentários preconceituosos são abundantes. Mas, independente de política, os ataques sempre existiram, contudo em baixa escala. Porém, são durante os grandes eventos políticos que muitos cidadãos, principalmente do Sul e Sudeste, aproveitam para destilar ódio para com o Nordeste. Como nas eleições de 2014, em que a onda antipetista estava em crescimento e, assim, era contrária à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff.

Entretanto, os votos que a Região Nordeste concedeu à candidata do Partido dos Trabalhadores, no segundo turno, foi decisiva para sua vitória, devido à grande vantagem conquistada em relação ao seu oponente Aécio Neves (PSDB). Os eleitores de oposição, que não aceitaram o resultado, passaram a xingar os nordestinos. A população da Região Sul chegou a pedir a separação da localidade do restante do país.

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Com comentários em defesa do Nordeste, a agressão verbal continuou e alguns ofensores se colocaram como vítima e fizeram postagens, como a mostrada em seguida.

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Em 2018, o clima das eleições está mais tenso em comparação com o ano das últimas eleições, 2014. O Brasil ficou mais polarizado, e se tratou de uma disputa pautada entre Jair Bolsonaro e o candidato do PT escolhido pelo ex-presidente Lula, sendo esquecido os outros tantos candidatos que participaram da disputa presidencial.

Bolsonaro conquistou 46% dos votos válidos e foi vitorioso na maioria dos Estados brasileiros e, se não fosse pelo Nordeste e o Pará, poderia ter ganhado em primeiro turno. Por isso, muitos eleitores da extrema direita iniciaram os ataques contra os nordestinos. Foram muitas as publicações que falavam em separar essa região do restante do Brasil. E também, diversas imagens circularam pelas redes, comparando o Nordeste a países como Cuba e Venezuela.

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Esse posicionamento preconceituoso foi tomado porque esses países têm regimes autoritários e muitos cidadãos brasileiros — por conta da grande onda de fake news que assola o país — acreditam que o PT quer adotar esse sistema de governo no Brasil. E, como a maioria dos votos desse partido encontram-se no Nordeste, acreditam, erroneamente, que essa região defenda o regimes como o venezuelano. Estes comentários proferidos nas redes sociais são desrespeitosos, antiéticos e irresponsáveis para com os nordestinos.

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Por isso, em sua defesa, muitos nordestinos se uniram e fizeram campanhas a favor do Nordeste. No Twitter, a hashtag #VivaoNordeste foi criada como forma de apoio a população daquela região e já existem vários posts. Também houve a #NordesteComBolsonaro, buscando provar ao restante do país que nem toda a região é eleitorado do Partido dos Trabalhadores e amealhar a simpatia de novos eleitores.

Com isso, alguns, poucos, eleitores de Bolsonaro, por meio do Twitter, fizeram um movimento que solicitava aos seus companheiros que não atacassem o Nordeste, mas que mostrassem os benefícios do candidato do PSL. Essa tentativa foi totalmente falha, visto que estão ocorrendo mais disseminações de ódio, fake News contra Fernando Haddad, e ataques às pessoas comuns que fazem oposição a Jair. Um exemplo disso foi o fatídico acontecimento em Salvador, em que o mestre de capoeira Môa do Catendê foi assassinado à facadas por uma eleitor do presidenciável, quando se manifestou contra o candidato do agressor e havia dito que votou no PT.

Vale ressaltar que no Brasil ato xenofóbico é crime, de acordo à Lei Nº 9.459, de 13 de maio de 1997, art 1º. As denúncias podem ser feitas pelo site do SaferNet, no Ministério Público Federal e por telefone através do número 100. Postagens xenofóbicas devem ser denunciadas, pois não se deve ser tolerante com a intolerância.

 

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