Google e as novas ferramentas para o jornalismo: como isso muda a mídia?

As inovações técnicas prometem alterar o cenário jornalístico. Como a empresa vai influenciar as notícias que você lê?

Por Luiz Neto e Ruan Roberto

A maior ferramenta de buscas do mundo, Google, sempre tem inovado suas funções e causado impacto no mundo da tecnologia. No jornalismo não é diferente. O Google buscou revolucionar a forma de fazer jornalismo facilitando para as redações os meios de buscar, organizar e selecionar informações através da própria plataforma e seus aplicativos. No dia 3 de dezembro de 2018 o Google anunciou durante o evento Google News Initiative Summit, que tem como objetivo evoluir e valorizar o jornalismo de qualidade, realizado no escritório da companhia em São Paulo, que investirá cerca de R$ 25 milhões em iniciativas e programas de jornalismo digital no Brasil durante o ano de 2019. A iniciativa tem como principal objetivo fortalecer o jornalismo digital de qualidade, num movimento que visa combater a proliferação de notícias falsas, as chamadas fake news.

 

Hoje já existem ferramentas importantes da empresa para o jornalismo no Brasil, das quais três delas se destacam: Google Earth Pro, Google Trends e News Lab. O Google Earth Pro, última versão, disponibiliza imagens de satélite em alta resolução com acesso gratuito, o que antes não era possível, já que o serviço custava US$ 400. Sendo assim, o recurso é bastante útil para o jornalismo digital e impresso, principalmente. Basta fazer o download da última versão do Google Earth, inserir seu e-mail e a senha GEPFREE. Além disso, ao realizar o login, para conseguir imagens com uma ótima qualidade, basta clicar em um botão no centro superior da tela, que também oferece a opção de salvá-las. Já o Google Trends é a ferramenta que mostra os mais populares termos buscados na plataforma de pesquisas. Lançado no dia 11 de maio de 2006, a ferramenta dispõe de gráficos que mostram a frequência com que um termo particular foi usado, em vários idiomas, podendo ser utilizada no jornalismo como um detector de notícias em tempo real. “Queríamos reimaginar o Google Trends para a mídia”, disse Steve Grove, fundador do News Lab, espaço do Google para jornalistas . Além disso, ao explorar as mudanças feitas no aplicativo, é possível encontrar o Hot Searches, que mostra instantaneamente as buscas mais feitas no momento, por meio de uma visualização em quadros coloridos. No site do Google News Lab, eles definem sua forma de trabalhar:

Nós construímos coalizões, desenvolvemos parcerias, realizamos pesquisas e criamos treinamento para lidar com desafios fundamentais do jornalismo hoje.

Esses “desafios fundamentais”, ainda segundo a própria empresa, são:

  • Confiança e Desinformação;
  • Notícias Locais;
  • Jornalismo Inclusivo;
  • Tecnologias Emergentes.

Quanto ao primeiro desafio, de combate às fake news e desinformação, cabe ao leitor decidir se o Google é uma empresa confiável para fazer esta triagem entre o que é notícia e o que é falso. Uma das parcerias feitas para integrar o esforço foi o The Trust Project, liderado por Sally Lehrman, jornalista que fundou a instituição em 2015 com o intuito de ajudar consumidores — o público dos jornais — a diferenciar opinião, anúncio e notícia. Ou seja, aumentar a confiabilidade da mídia. Além do Google, o Facebook e o Binge completam essa parceria. O segundo desafio, o das Notícias Locais, se refere às pressões orçamentárias que empresas locais encontram. Ou seja, como tornar o jornalismo mais barato para que pequenas empresas possam competir. Isso também implicaria na capilarização de influência do Google para os interiores do mundo. As metrópoles já são integradas à rede informacional da empresa.

No site oficial do projeto do News Lab, assim é descrito o desafio do Jornalismo Inclusivo:

Como podemos ajudar redações e jornalistas a terem certeza que seu jornalismo reflete melhor a comunidade que cobrem?

O Instituto Maynard, um dos parceiros desta coalizão, recebe apoio do Google para treinar 200 repórteres de campos sociais sub representados. Ou seja, a narrativa tradicional pode sofrer mudanças caso este desafio — que acompanha o jornalismo desde sua primeira publicação — seja superado. O quarto e último desafio que a empresa se propõe a vencer é o de Tecnologias Emergentes. Como as redações podem se tornar mais eficientes e lucrativas com o uso de novas tecnologias? Com o Google fazendo este intermédio, fica a critério da empresa quais tecnologias aparecem primeiro no buscador. O próprio News Lab oferece cursos para a utilização de todas as suas ferramentas através de vídeos gratuitos. O curso completo para cada ferramenta tem aproximadamente uma hora e quarenta minutos. Segundo o site Techcrunch, seriam investidos, ao longo de três anos, trezentos milhões de dólares na nova iniciativa. O que não fica claro é como exatamente a empresa irá recuperar seu investimento. No Brasil, com o programa “Cresça Com o Google”, treinamentos presenciais são oferecidos em diversas capitais. Em Brasília, ocorreu nos dias 27 e 28 de março. O evento foi realizado para cerca de 1500 pessoas e foi realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Lago Sul. O painel “Ferramentas Google Para Jornalistas” foi apresentado pela YouTuber Maíra Medeiros  e a palestra dada por Marco Túlio, jornalista de Belo Horizonte que se tornou coordenador do Google News Lab Brasil. Os eventos são completamente gratuitos, requerendo apenas que se confirme a presença por e-mail. Algumas perguntas seguem sem respostas. Como o Google lucra com isso? Como o gigante da informação vai usar a possível dependência da mídia sobre si para lucrar? A potencialização do jornalismo local através da multinacional pode ser um risco para a grande imprensa? E mais: poderia o Google passar a determinar quais pautas são relevantes e quais não são, assim como quais fontes são seguras e quais não são?



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