Quantas pessoas precisarão morrer para que comecem as fiscalizações no Brasil?

O medo dos habitantes de Pinheiro, em Maceió, que vivem cercados de trincas e rachaduras provenientes de um tremor sísmico

Por Millena Campello

Enquanto o medo está presente na rotina dos moradores do bairro de Pinheiro, em Maceió, capital alagoana, a mídia se ausenta do seu papel social de divulgação e não dá a devida importância ao que pode acontecer: trata-se de uma tragédia, que, se ocorrer, pode matar mais gente do que as tragédias de Brumadinho e Mariana juntas: seriam quase 20 mil vítimas.

Tudo começou em 15 de fevereiro de 2018, com chuvas fortes de verão num bairro de Maceió: Pinheiro.  Em 3 de março do mesmo ano ocorreu um abalo sísmico que provocou inúmeras fissuras, trincas e rachaduras no local.

Os moradores com melhores condições financeiras saíram de suas casas. Outros, deixaram seus filhos em casas de familiares, mas permanecem na zona de risco por falta de recursos econômicos.

Assim, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), ou Serviço Geológico do Brasil foi requisitado para realizar pesquisas na zona, com o objetivo de descobrir as causas do fenômeno responsável pelos danos. Entre tantos outros estudos, conseguiram mapear todas as trincas da região.

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Classificaram as áreas de acordo com 3 categorias, como mostrado abaixo:

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Na linha do tempo abaixo, é possível ver um pouco do trabalho realizado pelo órgão, que utilizou vários recursos, entretanto ainda não chegou a uma conclusão.

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Na verdade, falar que “não chegou a uma conclusão” pode ser um pouco fantasioso. O Serviço Geológico do Brasil, afirmou que há quatro possíveis causas dos abalos sísmicos:

  1. Exploração nas minas sal-gema da Braskem;
  2. Sistema de poços que exploram o aquífero da cidade;
  3. Vazamento na rede de saneamento e abastecimento de água no bairro; e
  4. Causas geológicas locais, que começaram com a ocupação do bairro.

Um fato é, no mínimo, interessante: o envolvimento de uma mineradora em mais uma possível tragédia. E não é qualquer mineradora,  porque a Braskem é controlada pela Odebrecht e a Petrobras.

Ao explorar sal-gema na zona em questão, a Braskem poderia ter realizado algum procedimento de forma errada, ocasionando, assim, sismos. Entretanto, a empresa publicou uma nota em seu site deixando claro que utiliza a mais moderna tecnologia do setor, realiza exames geológicos e geomecânicos, e segue todas as normas técnicas e legais.

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Na nota acima, a empresa afirma que continuará “colaborando com os órgãos públicos competentes na elucidação das causas” e deseja “ser parte da solução do problema”. A dúvida que fica é: como uma mineradora, que pode ser a causadora de evacuações na cidade, poderá ajudar na solução do problema que ela mesma ocasionou?

Sem provas, não existe julgamento. Mas qual será o peso de uma multinacional diante das mídias? Seria possível que ela conseguisse fraudar o resultado das investigações? Se as provas são ou foram manipuladas, até agora não se sabe.  Contudo, o Governo Federal está tomando as devidas providências e já repassou 14,4 milhões de reais para a prefeitura de Maceió conceder auxílio aos moradores de zonas de risco. O Serviço Geográfico do Brasil disponibilizou uma tabela que mostra as medidas já tomadas e as que ainda serão realizadas.

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(tabela de janeiro de 2019)

Essa história se parece com o que aconteceu em Brumadinho e Mariana. Ambas as cidades foram destruídas por uma mineradora local que não havia sido fiscalizada. E o Governo, aparentemente, não aprendeu com isso. Embora promova fiscalizações, estas, ainda, são muito precárias e pouco eficazes.

 

 

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