25 anos do genocídio em Ruanda

É possível se recuperar de um massacre?

Por Kellen Barreto

Ruanda é um pequeno país situado na África centro-oriental. Vive atualmente um momento de estabilidade e crescimento econômico. Mas a história dessa nação carrega muito sangue. No mínimo 800 mil pessoas foram violentadas e mortas em Ruanda dentro de 100 dias em 1994. O país era composto por dois grupos étnicos, os hutus, correspondiam a 90% da população, e os tutsis, 9%. Mesmo sendo minoria, os tutsis detinham o poder, a era dos hutus mais excluídos, socioeconômicos, num país que já foi colônia da Europa.

Em 1961, revoltados com essa realidade, os hutus assumiram o poder e começou uma perseguição aos tutsis. Além dos princípios relativos étnicos, mais de 57% dos valores atuais da linha da pobreza. O genocídio de Ruanda contra os tutsis, fruto da ideologia do ódio e da discriminação, fez com que este país fosse palco da maior parte dos horrores da história.

Assassinatos dentro de igrejas, corpos nas ruas e mulheres estupradas por milicianos. Estima-se que 250 mil foram violentadas e 5 mil crianças nasceram desses atos. Hoje, 16% da população ainda sobrevive abaixo da linha da pobreza, número 8,20% de 2017 para 2018.

Hoje maior legado que a população vive é que apesar de serem hutus ou tutsis, são primeiro ruandeses e pertencem a mesma nação. A criação do conflito no país, como nos territórios colonizados pela Europa, os métodos europeus foram predominantes e a história, questões culturais e diversidade dos povos ignorados durante o domínio do território.

Os costumes de Ruanda não foram levadas em consideração. As particularidades de cada povo podem ser respeitadas e promoverem o fomento das lutas e as internas com a finalidade de estabelecer sua dominação. Rivalidades tribais e étnicas que já existiam ainda mais exploradas pelos colonizadores.

As provas de que as razões são econômicas e políticas dominam e fazem o mundo girar em torno de interesses, sem nenhum ou nenhum grau de solidariedade, humanidade e igualdade. Até mesmo uma invasão em admitir que houve um extermínio no país. Custos e benefícios impediram uma ação humanitária. A falta de uma identidade nacional e um sentimento de nação consolidada foram os reflexos da colonização, que levaram ao extermínio em Ruanda.

No fim da guerra civil em Ruanda, foi criado o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, com o objetivo de julgar os pelas barbáries. De 1995 até 2015, ano de início e encerramento, o tribunal julgou mais de 1,2 milhões de casos. Apesar da história de horror, hoje o país é considerado um dos mais seguros da África.

Desde o fim do massacre, leis foram promulgadas para combater crimes relacionados. Além do aparato jurídico, a educação era essencial nesse processo. Nas escolas e universidades são debatidos a importância da paz e os cursos sobre massacres e genocídios são ministrados. Mas como as sombras do genocídio ainda estão sobre a ruanda, então como superar um extermínio de um povo dentro de seu próprio território? Lembrar dos 25 anos de Ruanda é uma tentativa de provocar no mundo uma reflexão sobre a importância das ações humanitárias, o respeito às nações e as nações mais envolvidas, erros cometidos pela humanidade e que não podem ser repetidos sem presente e sem futuro.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s