“HOMENS SÃO ENGRAÇADOS, MULHERES SÃO MALUCAS”

A importância de mulheres no cenário da comédia brasileira

Por Maíra Oliveira

Viver do riso é um dos mais novos programas de TV que a Rede Globo está transmitindo no formato de série, com 5 episódios. No terceiro episódio do programa, que foi ao ar no último dia 3 de Abril, apresentado pela atriz Ingrid Guimarães, a convidada, e também atriz, Tatá Werneck, relata casos de machismo.

Ingrid contou que teve a ideia de iniciar o programa por perceber um déficit de reconhecimento dos comediantes, em comparação aos atores dramáticos. Porém, ao longo de sua pesquisa e de algumas entrevistas, a atriz percebeu que o problema era ainda maior quando se tratava de mulheres. O preconceito ainda existe durante o percurso de carreira das comediantes, tornando-o, portanto, ainda mais difícil.

Em sua entrevista com Tatá, as duas compartilharam vivências que mostram um pouco dessa discriminação. Durante muito tempo (e até hoje), mulheres que se arriscaram na comédia teriam três opções: ser estereotipadas como a feia/empregada doméstica (como a personagem Neide Aparecida, interpretada por Márcia Cabrita, no programa Sai de Baixo) , objetificadas pelo corpo (Velna, personagem do Vai que Cola, interpretado por Fiorella Mattheis), ou então, eram consideradas loucas (como a personagem Jéssica, de Vai que Cola), interpretada pela atriz Samantha Schmütz).

Está se tornando cada vez mais comum programas importantes serem comandados por mulheres. Como por exemplo, o Saia Justa, apresentado sempre por quatro mulheres que discutem temas atuais e necessários, ou então, Lady Night, um talk show apresentado pela Tatá Werneck, que estão em crescimento nos grandes canais de TV. Esse último teve um engrandecimento no final do ano passado por seus ótimos números de audiência e, inclusive, teve sua exibição prolongada na Globo.

A apresentadora do talk show  ganhou na categoria Segundo caderno/+TV no Prêmio Faz Diferença (iniciativa do jornal O Globo em parceria com  Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Tatá dedicou o prêmio a todas as mulheres que não são compreendidas, fazendo uma relação com as comediantes que sempre foram vistas como loucas em suas casas, escolas, trabalhos, igrejas etc. A atriz foi expulsa de um colégio católico por conta de seu jeito extrovertido. “Homens são engraçados, mulheres são malucas”, disse em entrevista, ao relatar problemas que vivenciou na infância por conta de sua personalidade.

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O fato de ambas serem apresentadoras, se mostrarem ativas na tentativa de conquistar mais direitos para as mulheres e igualar o reconhecimento no cenário artístico, é de suma importância para o movimento feminista como um todo. A situação ainda é muito desigual. Por exemplo, o maior portal de contratação de comediantes, Stand Up Comedy Brasil, tem o cadastro de somente 12 mulheres, em contrapartida a 112 homens cadastrados. Dessa maneira, torna-se ainda mais difícil para mulheres ganharem visibilidade e reconhecimento.

Por fim, percebe-se uma necessidade de modificar o cenário porque as mulheres já estão cansadas de serem representadas de maneira tão estereotipada, apesar de já serem vistos alguns avanços. Portanto, cabe aos consumidores desse tipo de conteúdo dar suporte aos programas apresentados por mulheres, para poder ajudá-los a crescer e se desenvolver. Porque as mulheres dessa geração já mostraram ter plena capacidade de ocupar o espaço da comédia. E cabe também, aos meios de comunicação e mídia, contratar mais mulheres e dar visibilidade para que atuem sem restrições.

Para assistir ao episódio de Viver do Riso:

 

Um comentário sobre ““HOMENS SÃO ENGRAÇADOS, MULHERES SÃO MALUCAS”

  1. Vanessa Martins disse:

    É triste perceber isto. Quando fui conversar com algumas pessoas sobre a ínfima participação da mulher na comédia, me disseram “é porque mulheres não são engraçadas”, e quando são, é porque são malucas. Esses dias eu estava assistindo um stand up e o cara estava falando o quão a namorada é maluca para fazer os outros rirem. Enfim, eu só tenho a dizer que este texto está excelente, traz um debate importante para o empoderamento feminino e a participação das mulheres não só na comédia, mas em tantos outros meios nos quais nós somos inferiorizadas por “não ser tão boa quanto o homem”.

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