O protagonismo negro na indústria audiovisual

Os últimos dois anos foram marcados pela presença de negros no cinema e reverberam a importância da representatividade

Por Geovana Melo

Consolidados por boas performances nas bilheterias ou por premiações em diversas categorias, artistas negros têm crescente projeção na indústria do audiovisual, além de um brilhante desempenho em cena. Aos poucos, essas produções estão tomando conta das telas, fator que representa um avanço, mesmo que mínimo, em uma sociedade preconceituosa que permeia o racismo há séculos, devido a uma política de colonização. 

Na última grande premiação do cinema, nomes como Viola Davis, Spike Lee, Jordan Peele, Regina King, Mahershala Ali, Kevin Willmont se destacaram  no Oscar e abocanharam algumas estatuetas. E muitos fortaleceram o movimento negro em seus discursos, como o diretor Spike Lee.

“Há 400 anos nós fomos roubados da África e trazidos para cá escravizados (…) Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios. Os ancestrais que vão ajudar a voltarmos a ganhar”, discursou.

Aos poucos, personalidades negras ganham notoriedade em séries, filmes e novelas. Desse modo, fazendo revolução na indústria cinematográfica que ainda é majoritariamente branca. Com um mercado mais ativista e representativa, temas como racismo e desigualdade se tornam protagonistas. Desse modo, reverbera-se um grande avanço nas telonas e quebra com a visão negativa do negro propagada pelos meios de comunicação que o representa como criminosos, escravos ou em qualquer posição inferior aos brancos.

Assim, com o filme Pantera Negra foi a primeira vez que um blockbuster estadunidense aborda com tanto esplendor e orgulho a cultura africana. De forma que desempenha o papel de uma poderosa voz para as causa sociais, além de contar com um elenco majoritariamente afro-descendente.

“Quando a gente chega em 2018 com a Marvel fazendo o primeiro filme de um super-herói negro, é fundamental e muito importante quando pensamos em representatividade”, pontuou Thais Santos, pesquisadora de estereótipos raciais e mestranda em sociologia pela Universidade de São Paulo, em entrevista a rádio USP.

O videoclipe da música This is America, de Childish Gambino, é composto por cenas que retratam o cotidiano preconceituoso dos Estados Unidos e a cultura afro.  Com analogias ao massacre de de Charleston, a brutalidade policial, ao Jim Crow (personagem folclórico da escravidão norte-americana) e por fim, faz referências ao shoki e a gwara gwara, danças típicas da África do Sul. A partir disso, o cantor busca retratar as diferenças existentes na sociedade por meio da arte, fazendo assim, uma forma de resistência e concomitantemente uma crítica .

Na televisão não é muito diferente, em 26 de janeiro de 2004, há 15 anos estreou Da cor do pecado. Foi a primeira vez que uma atriz negra, Taís Araújo, protagonizou uma novela da Rede Globo. Entretanto, como a maioria das personagens afros das novelas, ela era uma mulher preta e pobre que se apaixonou por um homem branco e rico, e a trama se baseia nessa inter racialidade. Desde então, poucas foram as protagonistas de novelas negras. No entanto, a sociedade cobra cada dia mais por essas representações, visto que negros e pardos configuram 54% da população brasileira. 

Anualmente, desde de 1970, acontece a NAACP Awards, premiação concedida aos afro-americanos mais influentes do cinema, música e televisão do ano.

Percebe-se que a indústria audiovisual está dando os primeiros passos para que o protagonismo negro ocupe de vez um lugar na produção cultural. Narrar uma perspectiva histórica e cultural, nos meios de entretenimento, africana que reflete a representatividade, é importante para minimizar as desigualdades e discriminações existentes na sociedade, além de empoderar cada vez mais os telespectadores e podem se ver e se identificar, tendo cada vez mais certeza de que podem ser o que quiserem.

 

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