Finalmente, a representatividade feminina entra em campo

Considerada a “copa histórica”, mundial na França abandona invisibilidade devido à cobertura da mídia

Por Isabela Oliveira

A história da Copa do Mundo de Futebol Feminina começa em 1991, na China, 60 anos depois do primeiro campeonato masculino. Durante todo o seu tempo de existência, a copa feminina foi ignorada pelos meios de comunicação, mas em 2015 o SporTv e a TV Brasil transmitiram os jogos da seleção. Mesmo assim, o evento não recebeu visibilidade, por isso quase ninguém assistiu ao mundial. Neste ano, a copa terá uma cobertura maior, mas ainda não chega ao patamar do campeonato masculino.

O SporTV exibirá todos os jogos, enquanto a Rede Globo e o globoesporte.com exibirão apenas os da seleção brasileira. A competição começa no dia 7 de junho, na França, e termina um mês depois. A estreia da seleção canarinho, sorteada no grupo C, está marcada para o dia 9 de junho contra a Jamaica.

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Foto: Esportelândia

Então, por que não há destaque ao campeonato feminino? Na realidade, a relação mídia e esportes femininos costumava ser embasada na desigualdade de gênero. Com isso, a desvalorização das mulheres no cenário esportivo sempre existiu. Inclusive, em abril do ano passado elas conquistaram o heptacampeonato na Copa América invictas e não houve repercussão. Por isso, as consequências são claras: não há interesse público, investimentos ou patrocínios, e o salário das jogadoras permanece inferior em relação aos homens.

Segundo reportagem Futebol feminino retrata a bravura e a resistência esportiva do Beta Redação, a cobertura recente de jogos femininos ainda impacta muito pouco. No infográfico abaixo, pode-se perceber que 85% das notícias esportivas são masculinas. Outro dado importante é em relação à televisão. Apenas 12 minutos da programação do esporte são voltados para as mulheres. Porém, 2019 chegou para quebrar esse paradigma.

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Arte: Amanda Büneker e Maria Carolina de Melo/Beta Redação

Além da Rede Globo, a Band também teve uma iniciativa este ano de transmitir o campeonato nacional. Será apenas uma partida por semana, às 14h dos domingos, mas representa um passo importante da mídia para modificar o cenário de que só jogos masculinos dão audiência.

Ademais, esse destaque da competição feminina não está ocorrendo apenas no Brasil. Em todos os outros países participantes, também só se fala da Copa do Mundo na França. A BBC, na Inglaterra, está preparando uma cobertura completa para o maior evento esportivo do ano. E a imprensa francesa colocou as atletas nas capas dos principais jornais, como o L’equipe, após a convocação das 23 jogadoras francesas.

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Foto: Reprodução/ Dibradoras

Portanto, espera-se que 105 milhões de pessoas lotem os estádios, mas que também um bilhão de pessoas assistam aos jogos em casa. Pois, em menos de 48h de vendas dos ingressos, quatro jogos esgotaram. E de acordo com o relatório O crescimento do esporte feminino, divulgado pela Nielsen em 2018, 43% dos fãs de futebol masculino também tem interesse pelos jogos femininos.

Se a falta de cobertura era o que não permitia a publicidade, agora várias marcas estão apoiando o campeonato, fazendo campanhas para o evento que começa na semana que vem. O SporTv começou a lançar ações com as jogadoras para serem exibidas durante a programação, e a Nike também entrou no “jogo”. No último sábado, 25 de maio, a empresa divulgou um vídeo contando a história da jogadora Andressa Alves. Andressa entrou para a história por ser a primeira brasileira a competir pelo Barcelona. Além disso, a Nike fez uniformes exclusivos para as seleções que patrocina. A camisa verde e amarela terá a frase “Mulheres Guerreiras do Brasil”.

O Guaraná Antarctica também fez sua campanha ao utilizar a imagem das jogadoras brasileiras e convocou outras marcas a fazerem o mesmo. O Boticário, DMCard, GOL e Lay’s apoiaram a seleção.

O futebol feminino está longe de ter a valorização que merece, mas uma coisa é certa: seja ganhando ou perdendo, as jogadoras chegaram ao holofote, miraram o gol e farão a torcida ir à loucura com essa cobertura mais intensa. Não se deve comemorar apenas pelas vitórias, mas também por esse primeiro passo no campo invisível que era o futebol feminino.

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