Toronto: o que a maior cidade do Canadá pode nos ensinar sobre imigração?

Enquanto boa parte do mundo enrijece suas leis de imigração, o Canadá vê nos estrangeiros uma oportunidade de crescimento econômico e cultural

Por Lucas Guaraldo

No dia 20 de março, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau garantiu para todos os visitantes da collision tech conference, onde se reuniram mais de 500 empresas norte americanas de tecnologia, que o crescimento impressionante do setor tecnológico do país se devia aos milhares de imigrantes recebidos nos últimos anos. O político também ressaltou a importância desses estrangeiros no fortalecimento da comunidade canadense.  

Embora a exaltação a imigrantes possa parecer estranha nos dias de hoje, o Canadá sempre contou com a força de trabalho de diversas levas de estrangeiros, especialmente a partir de 2002, quando a entrada desses grupos foi facilitada ainda mais. A maior cidade do país, Toronto, viu o número de moradores nascidos fora do Canadá saltar para impressionantes 49,9% dos seus dois milhões e novecentos mil habitantes, tornando-a a mais diversa do mundo. 

Um número tão grande de diferentes culturas poderia significar que diversas etnias seriam marginalizadas, mas com o apoio de políticas públicas municipais e nacionais, isso não ocorreu. As políticas protegem grande parte dos estrangeiros que chegam ao país em fuga de práticas predatórias por parte do mercado de trabalho, como ocorre frequentemente em países como Estados Unidos e Brasil.

Toda essa colaboração cultural surtiu efeito na parte econômica da cidade, que se diversificou enormemente conforme a participação dos imigrantes crescia. Hoje em dia, além dos milhões que visitam a cidade todos os anos, Toronto é o principal pólo industrial, comercial e financeiro do Canadá e um dos principais do continente, o que a deixa no vigésimo primeiro lugar entre as economias das maiores metrópoles do mundo.

Em resumo, a maior cidade do Canadá e uma das principais metrópoles do mundo, ao se posicionar contra o movimento anti-imigração que tomou conta do debate público mundial, viu sua economia crescer e impulsionar a diversificação de seu país, que se torna um líder do multiculturalismo no mundo. O crescimento nos setores de tecnologias e turismo, amparado pela importação de conhecimento através de estudantes e profissionais treinados fora do país, mostra como pode ser o futuro de cidades ou países que perseguem o caminho da flexibilização de suas leis de imigração. 

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