O governador sniper que está dando o que falar

No sequestro na ponte Rio-Niterói, a atitude do governador, Wilson Witzel levanta discussão

No dia 20 de Agosto terça-feira, o Brasil assistiu a um episódio de sequestro m um ônibus na ponte Rio-Niterói. O assalto foi anunciado às 5h26 e durou 3h30, acabando de forma trágica, às 9h4, com o assassinato do sequestrador por um atirador de elite, em uma das vezes que ele desceu do ônibus. O governador Wilson Witzel comemorou este último acontecimento em dois momentos: pelo Twitter e ao descer de seu helicóptero na área do ocorrido.O sequestro teve cobertura completa de emissoras como, por exemplo, a Rede Globo, e também alguns de seus desdobramentos deram o que falar, entre eles, a postura de Witzel diante do acontecimento.

Wilson Witzel é do PSC (Partido Social Cristão), advogado e fuzileiro naval, foi eleito em 2018, assumindo o lugar de Eduardo Pezão Paes. Desde o início de seu governo,  Witzel tem mostrado a sua posição favorável ao porte das armas e ao trabalho dos snipers, tanto é que este é o seu apelido, Sniper e, por fim, defendeu o discurso de “mirar na cabecinha” de criminosos armados e matá-los.

E, realmente, ele está se posicionando da forma que ele alegou nas eleições do ano passado. Segundo o site El país, de janeiro até julho deste ano foram registradas 1075 mortes no governo de Witzel, sendo que, em julho, agentes mataram 194 pessoas em todo o Estado, superando o número de um mês desde 1998.Durante quase nove meses, os meios de comunicação têm se manifestado de forma discreta em relação ao trabalho do governador, apenas noticiando os suas atitudes e suas falas. Ao mesmo tempo, as notícias sobre ele criam duas situações: a discussão sobre o absurdo de tanto suas falas, quanto suas atitudes e também o apoio maior de algumas pessoas em relação às armas.

Pode até ser que os meios de comunicação só estivessem noticiando, mas mesmo assim não os isenta de?. A mídia tem responsabilidade social pela forma que ela divulga e, esse tipo de posicionamento é prejudicial para a formação de senso crítico das pessoas, porque algumas pessoas podem reproduzir discursos antigos e problemáticos que até hoje persistem, por exemplo: “bandido bom é bandido morto”.

No fim das contas, os espectadores são condicionados pelos media, entrando, ao mesmo tempo, em discussão sobre questões problemáticas e em retrocesso com a reprodução e a justificativa de ideias estereotipadas. Esta última situação é perigosa para a sociedade brasileira.

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