Brasil continua em chamas

Incêndios da Floresta Amazônica chegam à vila de Alter do Chão, no Pará

Por Isabela Oliveira

Um dia se noticia que Alter do Chão é um dos destinos procurados no mundo para lazer e palco da manifestação cultural mais antiga da Amazônia, o Sairé. No outro, a vila localizada na cidade de Santarém, no Pará, tem sua floresta destruída pelas chamas. Assim como recentes queimadas na Floresta Amazônica, o fogo chegou à cidade paraense no dia 14 de setembro. O foco chegou a ser diminuído, mas voltou no dia seguinte. Na tarde do dia 17 de setembro, a tragédia foi controlada. Apesar das recentes tragédias em toda Floresta Amazônica estarem sendo noticiadas, a mídia esquece-se de todos os seres que nela vivem: fauna, flora e as pessoas.

As chamas ocorreram dentro de uma área de proteção ambiental (APA), de difícil acesso e às margens do rio Tapajós, o que facilitou a propagação. O governo do Estado do Pará, inclusive, pediu ajuda à Força Nacional. A polícia já está investigando a origem do incêndio, e segundo o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, pessoas de dentro da APA podem ter ateado fogo para comercializar a área de forma clandestina. Contudo, segundo com a polícia, não há indícios de que o incêndio tenha sido criminoso. Por outro lado, a mídia não fala de duas coisas: as espécies endêmicas que só existem na região e a aldeia dos indígenas Bocari, que está em risco.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a cidade de Alter do Chão, considerada o “Caribe da Amazônia”, recebe em média 60 mil turistas por ano. A vila, além de ser um atrativo por suas belas praias, também é palco do Sairé, todo mês de setembro. O festival é um dos mais antigos da região e traz o artesanato local, comidas típicas e apresentações artísticas.

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Foto: Reprodução/ Santarém Tur

Atualmente, a festa tem um sentido que une o sagrado e o profano. O Sairé une rezas e ladainhas, com apresentações artísticas usando símbolos como os botos Tucuxi e Cor de Rosa. A manifestação cultural atrai turistas de todos os lugares, além de movimentar a economia local. A Ilha do Amor é um dos cartões postais da vila.

As queimadas já são as maiores registradas na Floresta Amazônica. São 72.843 pontos mapeados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Instituto Socioambiental (ISA) fez um levantamento dos focos de incêndio e as terras indígenas mais afetadas.

O portal de notícias UOL trouxe uma matéria de maneira clara e bem explicativa do que está acontecendo com as florestas e as principais causas políticas envolvidas. O desmatamento aumentou – principalmente em relação à valorização da agricultura -, as queimadas subiram em 60% neste ano, os fiscais não têm mais reconhecimento de sua autoridade para exercer seu trabalho, a exoneração do diretor do Inpe e a perda de verba internacional que a Amazônia costumava receber são algumas das causas.

Além disso, o portal deixou muito claro a preocupação do governo com a repercussão mundial das queimadas e está controlando ainda mais as instituições ambientais.  Há quase dois meses, a tag #PrayForAmazonas esteve no primeiro lugar dos assuntos mundiais no Twitter. A hashtag foi uma forma dos internautas denunciarem e sensibilizarem todos os usuários que ainda desconheciam a situação das queimadas. 

Vários jornais internacionais como El País e The Guardian expuseram a condição. Além disso, o representante do executivo francês, Emmanuel Macron, criticou a postura de Jair Bolsonaro e enfatizou que os incêndios são uma emergência internacional. As principais críticas ao governo brasileiro são expostas por toda mídia em relação à culpa que o presidente insiste em colocar nas ONGs. Verbas para as Organizações não Governamentais foram cortadas, e a fala irresponsável de Bolsonaro reflete em uma culpa que não existe. A justificativa do militar é que organizações estariam chamando atenção para o fato de não terem apoio governamental. 

Ademais, esquece-se mais uma vez dos povos indígenas que vivem na área. A mídia mal toca nesse ponto. Não há menção aos possíveis culpados e as investigações ainda estão sendo feitas, por isso não se sabe a origem das queimadas. Há loteamento ilegal na região, invasões de terras e, por fim, uma guerra agrária. Afinal, o agronegócio cresce cada vez mais, sendo a principal causa quando se trata de desmatamento, por exemplo. 

A responsabilidade midiática pesa mais uma vez. Ao noticiar, seja críticas ao governo ou o andamento das investigações, os meios de comunicação se esquecem que parte da população perde seu território e todo o Brasil sofre com o clima. A Amazônia pode não ser responsável por todo o oxigênio do mundo, mas é sim pela formação de chuvas no país, a umidade de toda América do Sul, contribui para estabilizar o clima global e tem a maior biodiversidade do planeta.

De acordo com Inpe e a Nasa, as consequências são certas para o clima: aumento da temperatura, o Sudeste pode se tornar um deserto e o acúmulo de monóxido de carbono na atmosfera fará com que se respire um ar parecido com o vulcânico. Falta comprometimento dos meios de comunicação em alertar isso, mas também governamental para amenizar a situação. O que se perdeu de mata verde, não dá para recuperar.

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