Quando a balbúrdia é bem feita

Diante das acusações e ameaças de cortes orçamentários, o Enade deu nota máxima a 15, de 17 cursos, da Universidade de Brasília.

Por Lara Costa

      No dia 8 deste mês, saiu a mais recente avaliação do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em relação aos cursos da Universidade de Brasília. Dos 17 cursos analisados, quinze receberam nota máxima (5), entre eles: Serviço social (noturno e diurno); Turismo; Ciências Econômicas; Direito (noturno e diurno); Psicologia; Publicidade e propaganda e Jornalismo.

     Há alguns meses atrás, no dia 30 de abril, era anunciado o corte orçamentário de 30% em, primeiramente, três universidades públicas: a Universidade de Brasília, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal da Bahia, sob julgamento de “balbúrdia” pelo ministro da educação, Abraham Weintraub. Este justificou seu julgamento com a seguinte frase: “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo” disse o ministro no mesmo dia que os primeiros cortes foram anunciados.”. Pouco tempo depois, o corte orçamentário foi anunciado nas demais universidades do Brasil.

      A Universidade de Brasília é um local de grande produção científica. Todos que estão lá (alunos, professores e funcionários) são de diferentes realidades socioeconômicas, muitos tiveram poucas oportunidades de acesso à educação. Os profissionais são extremamente apaixonados. Muitas discussões que lá acontecem são de interesse público. Essa universidade tem um ambiente diverso e bastante rico na profusão do conhecimento científico e da evolução da sociedade.

 Acusada de “balbúrdia”, a UnB teve 12 de 17 cursos classificados com nota máxima pelo Enade.

 Mesmo assim, existe uma visão deturpada sobre o que ela é, por parte de muitos. Um dos imaginários famosos sobre a UnB é o da existência de apenas drogas e bebidas, por exemplo, em suas dependências. Esse rótulo está muito relacionado às notícias divulgadas pelos meios de comunicação sobre a universidade.

     Em agosto deste ano, um jovem de 17 anos, não estudante da UnB, teve uma overdose em uma festa da Universidade. Isso gerou grande repercussão pelas mídias locais, como o Correio Braziliense e o DFTV. A notícia perdurou por alguns dias. Os meios de comunicação divulgam mais notícias ruins do que os acontecimentos bons, como as conquistas da instituição. Isso reduz a UnB a julgamentos superficiais.

     Na semana universitária, aconteceram muitos eventos interessantes, com a presença de grandes referências nacionais e internacionais, entre elas do escritor Mia Couto; feira de profissões e; três dias com apresentações de projetos de pesquisa e extensão (o SOS Imprensa, por exemplo) de áreas diferentes. É importante que haja a divulgação desses acontecimentos, porque em tempos de pós-verdade e descrédito às universidades públicas, a resistência e a afirmação de fatos relevantes são importantes. Essa avaliação do Enade é uma das provas disso.

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