Negritude na telinha

Racismo estrutural dificulta caminhada profissional de mulheres negras em jornalísticos

Por Maíra Oliveira

Na última segunda-feira de setembro (30), Maria Júlia Coutinho tomou posse da bancada do Jornal Hoje, substituindo Sandra Annenberg. Diante dessa situação, alguns jornais não gostaram muito da atuação, e começaram ataques à jornalista. Fizeram questão de ressaltar todos os pequenos erros ocorridos em seus primeiros dias, e não deixaram essa estreia ser comemorada como deveria. 

Essa mudança feita pelo importante jornal da Globo, que traz agora com sua primeira apresentadora negra fixa na bancada, já que em outros momentos a jornalista Zileide Silva apresentou o jornal, mostra um pequeno progresso do canal, porém, parece que algumas pessoas não estavam preparadas para a mudança. Essa novidade é de extrema importância para o Brasil, que tem uma maioria populacional negra, que, em contraponto, não encontra com facilidade representação em cargos importantes. É possível perceber isso de maneira exacerbada em vário âmbitos sociais,  como mostra reportagem do Estadão

Seria muita inocência achar que os comentários negativos foram somente pela performance profissional de Maju, visto que, qualquer outra crítica do gênero é completamente diferente ao se tratar de jornalistas brancos e homens, principalmente. Aparentemente, a cultura brasileira ainda carrega o preconceito estrutural enraizado em si, e, dessa maneira, dificultam ainda mais o caminho das mulheres negras que crescem profissionalmente.

Outro motivo que confirma o racismo nesse caso é o preparo da repórter, que apresenta uma longa bagagem profissional. Na Globo, Maju apresentava a previsão do tempo, e já em 2019 iniciou na bancada do Jornal Nacional, tornando-se a primeira mulher negra a apresentá-lo. Além disso, em agosto do mesmo ano fez duas substituições no Fantástico. Ambos são programas de extrema importância para a emissora, que só permitem profissionais muito bem capacitados. 

Desta maneira, é possível perceber que a mídia, principalmente de massa, é uma grande promotora do racismo institucional, inclusive a Rede Globo, o que está mudando somente agora. Apesar disso, quando saíram nos outros jornais críticas ferrenhas à jornalista, o representante da emissora divulgou uma nota à imprensa afirmando que não estaria tendo problemas com a nova âncora, e que notícias sobre uma reunião para discutir o assunto seriam falsas. 

É imprescindível debater sobre o tema, porque trata-se do combate ao racismo na mídia, detentora de poder. Essas fontes de informação são formadoras de opinião, portanto é necessário maior responsabilidade ao divulgar qualquer tipo de crítica, principalmente quando se trata de uma mulher negra.

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