A nova pegada fashion

Como a moda lenta tem contribuído para a quebra de lojas de moda rápida

Por Amanda Silva

No início deste ano, a Forever 21, uma das maiores empresas de fast fashion (padrão de consumo onde as peças são fabricadas, utilizadas e descartadas, literalmente), declarou falência nos Estados Unidos. A Forever 21 foi fundada em 1984 pelo casal sul-coreano Do Won e Jin Sook Chang e alcançou o seu auge no início dos anos 2000.

Com mais de 800 filiais espalhadas por mais de 50 países e com um público jovem imenso pelo mundo inteiro, a fast fashion não está conseguindo se sustentar desde 2016. O consumo consciente desde os primeiros passos da fabricação das peças e a moda sustentável são uns dos principais motivos para a queda da empresa.

Desde o pedido de falência da varejista norte-americana, muito tem se falado sobre os números. O valor que a empresa está devendo; quanto será necessário para se restabelecer; quanto o fechamento das filiais vai custar; os erros ao administrar a empresa; como isso afeta o mercado de moda. Apesar de serem pontos importantes que estão sendo muito bem noticiados pelos meios de comunicação, foram esquecidos os pontos que fizeram a Forever 21 quebrar.

A loja ficou ultrapassada. A cada crescimento da loja, era alugado grandes espaços em shoppings enquanto o comércio online crescia a cada clique. Não souberam se adaptar às redes sociais e usar isso como uma estratégia para conseguir se manter no mercado. Há, também, as mais diversas polêmicas envolvendo a marca: trabalho escravo, roupas feitas para serem usadas apenas uma vez, acusações de gordofobia e processos por grandes nomes da indústria atual como Ariana Grande, Anna Sui, Gucci, Diane Von Furstenberg e Anthropologie, fizeram a marca perder a influência e confiança dos compradores que não se identificam com esse tipo de atitude.

Na era digital, em que é possível fazer e resolver qualquer coisa online, o e-commerce (comércio eletrônico) também aumentam. A internet se transformou num lugar onde você pode comprar o que quiser, quando quiser e encontrar uma variedade de valores, isso atraiu o público mais jovem que sabe que pode fazer compras sem precisar sair de casa. 

Com a chegada das mídias sociais, influenciadores, e uma preocupação maior com o meio ambiente, as vendas mudaram e a marca não se adaptou a isso. No mundo digital, o comprador quer saber muito mais a respeito do que está comprando, como isso afeta o meio ambiente e por quem está sendo produzido. Quando encontra as respostas para esses questionamentos em relação às redes de fast fashion, o consumidor se decepciona, diminuindo, assim, as compras ou até mesmo não comprando mais nas lojas.

O que está acontecendo com a Forever 21 segue em um ritmo em que possa acontecer o mesmo com as outras redes de fast fashion se estas não mudarem a sua forma de fabricação, utilização e descarte das suas peças. O público está procurando algo que possa ser parecido com seus ideais e não apenas consumir e jogar fora

A nova geração quer uma marca que faça muito além de vender. Quer uma empresa que possa se identificar e seguir os mesmos valores éticos e sustentáveis.

O consumo desenfreado e as roupas que foram feitas para durar apenas uma vez não atraem mais os novos consumidores. A fabricação de peças de roupas e os fast fashion contribuem significamente para a emissão de gases de efeito estufa por conta da poluição da água e do ar. As pessoas estão mais conscientes sobre o uso dos recursos naturais, o impacto ambiental desde a produção até a venda (desmatamento de florestas para o cultivo de tecelagem e criação de animais, desperdício de energia e água, degradação do solo) e se vale a pena tudo isso por uma peça que em breve será descartada e que vai demorar 200 anos para se decompor. 

Como essas peças duradouras são mais caras, nem todos os jovens têm condição de comprar e, sem muita escolha, alimentam mais uma vez as redes de moda rápida. As roupas mais baratas e de menor qualidade sustentam a forma que as varejistas populares funcionam por todo o mundo. A sustentabilidade e a aplicação dela no dia a dia ainda é assunto apenas para uma parcela da população. Por isso, há um grande crescimento no número de pessoas que estão optando por comprar itens usados.

As compras de peças usadas em brechós e bazares  estão crescendo e a tendência é de que a venda de roupas de segunda mão vão superar as redes de fast fashion. Estão sendo criados novos hábitos para consumir essas peças. A sustentabilidade está sendo o ponto inicial para qualquer compra e está fazendo as mais diversas lojas repensarem o comportamento e a forma de fabricação. Afinal, parte do público atual não quer mais apenas uma compra para o guarda-roupa. Quer a certeza de que está agindo certo para um futuro próximo.

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