Quando a doença é a desinformação

Em tempos de crise, a importância da divulgação científica deve ser valorizada

Por Alice Bela

Como parte importante no processo de democratização do conhecimento se encontra a divulgação científica. O termo se refere à propagação de forma ampla do conhecimento científico para um público não especializado, ou seja, que não estuda ou não entende profundamente sobre o assunto. Essa divulgação precisa ser feita de forma responsável e acessível, levando em consideração o receptor da mensagem. Durante a pandemia do novo coronavírus, foi possível vivenciar a importância da veiculação dessas informações. Um trabalho conjunto entre cientistas, professores e jornalistas foi fundamental para a difusão em massa e em tempo real de materiais importantes, que fizeram diferença no dia a dia das pessoas. Além, é claro, do esforço empregado no combate às fake news.

Podemos citar alguns nomes que ganharam notoriedade nesse período, como por exemplo o virologista e biólogo Atila Iamarino, que será homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo com a Medalha Anchieta – a maior honraria da cidade, é concedida a quem conquistou a admiração dos cidadãos – e a infectologista Ana Helena Germoglio, que atua como fonte fixa no DFTV. É interessante observar que, além de terem credibilidade, criaram um vínculo emocional com a população, assim como aconteceu com o médico Drauzio Varella, reconhecido por grande parte da população brasileira. As pessoas respeitam e realmente escutam o que essas personalidades têm a dizer. 

Essa aproximação com o público geral é de extrema importância e promove a conscientização e ações de preservação, além de mostrar como universidades e centros de pesquisa são essenciais, é apenas com o engajamento da sociedade que essas instituições estarão protegidas. É responsabilidade de todos, principalmente dos pesquisadores, tornar a ciência compreensível e atrativa. Esse é o único modo de contrapor a desinformação, a anticiência e a ascensão do negacionismo. 

Desde 2019 a mídia vem noticiando o corte nas bolsas de pesquisa, mas falha quando não mostra o prejuízo gigantesco que essas restrições orçamentárias podem ocasionar. Mesmo estando no meio de uma pandemia o governo continua cortando verbas. Vacinas e remédios não existem sem ciência e o que pesquisadores, profissionais da saúde e professores estão fazendo hoje é exemplar. Com cada vez menos investimento para educação e ataques constantes, esses profissionais encontram jeitos práticos e efetivos de transmitir suas mensagens, seja através de canais no YouTube ou contas no Twitter, eles encontraram uma forma de estar perto de quem precisa e merecem ser reconhecidos por tamanha dedicação. 

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