A eleição remota e o poder do voto virtual

Na próxima terça, conheceremos o novo mandatário da Casa Branca, eleito após uma campanha polêmica e uma pandemia que colocou os Estados Unidos no topo dos dados de infecções, mortes e fake news

Por Gabriel Bezerra

No dia 3 de novembro, acontece nos Estados Unidos a 59º eleição presidencial de sua história, que decidirá quem irá ocupar a cadeira no Salão Oval da Casa Branca. O escolhido, irá realizar um importante papel na geopolítica mundial. Ainda mais depois de um atípico período de recuperação, após a  pandemia viral que abalou a economia e a sociedade em geral. Depois das polêmicas envolvendo as últimas eleições em 2016, o papel da mídia é novamente posto em jogo, por conta das diversas informações falsas que se tornaram presentes durante todo o ano de 2020.

Seguindo a tradição de realizarem-se sufrágios universais indiferentemente das dificuldades presentes no território estadunidense, a pandemia não impediu a realização das votações. Mas dividiu a preferência do eleitorado sobre qual método utilizar para a escolha do novo presidente. Além de criar dúvidas acerca da confiabilidade da apuração.

Neste ano, um número recorde de 70 milhões de eleitores irá votar pelo correio — método no qual o eleitor envia sua cédula como se estivesse enviando uma carta e não precisa ir até um local específico para a votação —. O número é três vezes superior aos que utilizaram o esquema em 2016, quando Donald Trump (Republicano) foi eleito presidente.

O atual presidente e candidato à reeleição mostrou sua desconfiança em relação ao esquema de votação. Ele declarou inúmeras vezes, sem apresentar provas, suas dúvidas quanto à execução da contagem dos votos, e disse também que contestará a apuração em caso de derrota.

    Trump, questionado inúmeras vezes sobre sua postura frente à pandemia, que levou- até o momento da realização desta matéria- 225 mil vidas estadunidenses, proferiu diversas declarações que menosprezavam a gravidade da doença, além de sugerir curas que ainda não haviam sido minuciosamente estudadas por especialistas.

Em estudo realizado pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, mostrou-se que o presidente foi o maior impulsionador de postagens com informações falsas.  Ele foi citado em 37% dos 38 milhões de artigos em língua inglesa analisados pelo estudo que visava analisar o efeito dos levantamentos incorretos e descontextualizados durante a crise da Covid-19.

  Assim como nas últimas eleições em 2016, o perigo dos efeitos das fake news preocupam. Além disso, a proximidade dos eleitores às falsas informações durante o recente período de isolamento social torna o caminho da confiabilidade informativa e do jornalismo profissional cada vez mais árduo.

O Twitter e o Facebook implementaram diversas medidas para tentar combater a propagação das notícias duvidosas que podem ser utilizadas como material de campanha. Após o compartilhamento, por Trump, de uma notícia na qual seu adversário Joe Biden (Democrata) teria ligações com um consultor de uma empresa ucraniana de energia elétrica, as empresas diminuíram o alcance de suas postagens, e a conta oficial da campanha do candidato republicano foi suspensa momentaneamente no Twitter.

 Após o ocorrido, a rede decidiu atualizar suas medidas de proteção. Ela tenta conter possíveis interferências de publicações de civis e candidatos nas eleições, sujeitando tweets falsos a remoções sem aviso prévio.

  Os moderadores também afirmaram que já são capazes de anexar avisos de fake news em publicações que divulguem conteúdo enganoso. Assim,  os usuários que tentarem compartilhar uma notícia, a rede social apresentará uma tela de pesquisa rápida, na tentativa de informá-lo sobre o conteúdo da publicação antes do compartilhamento.

Desta forma, as votações da próxima terça terão uma grande importância no cenário geopolítico do globo, pois decidirão, no formato de um plebiscito, sobre o seu modelo de governo, apesar de seus fracassos evidentes, e se deve continuar à frente do governo pelos próximos quatro anos.

A importância da mídia também se mostra decisiva, assim como em todas as eleições democráticas, onde a liberdade de opinião é permitida. Cabe, portanto, decidir de maneira crítica, qual os efeitos das propagações de material nocivo ao eleitor e como, enfim, podem combatê-lo, a fim de obter um sufrágio justo dentro de um período conturbado na história da nação estadunidense.

    Em sete meses, desde a interrupção das campanhas presidenciais devido ao crescente número de infecções em março até a realização das votações, o país viveu um período repleto de mortes, caos e manifestações. Deve-se então saber, qual será o maior inimigo do jogo democrático, e quais os efeitos na política mundial. 

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